Jorge Furtado é um autor de sorte. Seu gênero, a comédia, é o mais popular do Brasil. Mas nem tanto assim —ele a trabalha com uma sutileza que, não raro, afasta boa parte do público que poderia procurar seu filme.
O caso mais claro é "Saneamento Básico", que, na época, foi um belo fracasso e levou uns 20 anos para se tornar "clássico", porque quase ninguém notou que aquilo não era um documentário sobre um assunto árido, mas uma delicada ironia sobre a destinação de verbas públicas.
"Muito Prazer" não corre esse risco. Seu assunto é a sexualidade, bastante popular, embora o filme precise de algumas torções para chegar a ele. No caso, Rubem, papel de Daniel de Oliveira, é o jovem meio perdido que herda um motel abandonado e cheio de dívidas. Ao chegar, quase é morto pela única habitante do local, a também jovem Grace, vivida por Luisa Arraes, que levou o cano do antigo dono —o tio de Rubem— e ocupa uma das suítes como forma de se ressarcir dos prejuízos que teve com o antigo patrão.
Grace é, além disso, fotógrafa e tem interesse especial pelas nuvens —o que vai bem com o espírito meio volátil da moça e com o desinteresse que demonstra por coisas deste mundo.
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