Ator, que comemora 50 anos de carreira, reflete sobre trazer texto de Juca de Oliveira de 1979 para os dias atuais e fala de 'uma burguesia cujos critérios de felicidade são os bens materiais' Luiz Fernando Guimarães estreia nova montagem de 'Baixa sociedade' — Foto: Leo Aversa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 18:05 Luiz Fernando Guimarães comemora 50 anos com "Baixa Sociedade" no Rio Luiz Fernando Guimarães celebra 50 anos de carreira com a nova montagem de "Baixa Sociedade" no Rio, peça que revisita o texto de Juca de Oliveira de 1979. Dirigida por Pedro Neschling, a comédia atualiza a trama para o Brasil de 2026, mantendo temas sobre o materialismo da burguesia. Guimarães destaca a relevância atemporal dos valores abordados na peça. A peça está em cartaz no Teatro Clara Nunes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem assiste a Luiz Fernando Guimarães dominar o palco com passadas largas e tiradas precisas, pode ter a falsa impressão de que tudo acontece sem esforço. O próprio ator sabe disso — e, de certa forma, até gosta que seja assim. Mas por trás da aparente facilidade construída ao longo de cinco décadas de carreira, está um profissional que sobe ao palco todos os dias com o bom e velho frio na barriga. — Eu quero parecer para o público que faço isso com a perna nas costas. Gosto dessa sensação. As pessoas dizem: “Você faz isso com muita leveza”, mas não é como eu realmente faço. Isso exige muito trabalho e atenção — confessa o ator, que protagoniza o clássico “Baixa sociedade”, em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, a partir desta sexta-feira (5). — Já fui muito ao teatro e fico tenso com ator que é muito exagerado. Acho esquisitíssimo o ator que se exagera, tenho um pouco de pena, muitas vezes. A montagem marca os 50 anos de carreira de Luiz Fernando e também presta homenagem a Juca de Oliveira, autor do texto original, morto em março deste ano aos 91 anos. Escrita em 1979, a comédia ganha uma nova leitura sob direção de Pedro Neschling, que buscou aproximar a trama do Brasil de 2026 sem abrir mão de sua essência. Na peça, Luiz Fernando interpreta Otávio, um homem capaz de tudo para alcançar reconhecimento, dinheiro e status. Entre mentiras e planos mirabolantes, ele transforma o cotidiano de sua família em uma tentativa permanente de subir na vida e sustentar uma imagem de sucesso. No entanto, situações cômicas e absurdas revelam, aos poucos, as fragilidades e contradições do patriarca. Completam o elenco Isabella Santoni, Paulo Mathias Jr. e Bruna Trindade. Isabella Santoni e Luiz Fernando Guimarães em cena de "Baixa sociedade", que faz temporada no Teatro Clara Nunes — Foto: Divulgação/Paula Tonelotto — A homenagem se tornou ainda mais emblemática depois da morte do Juca. É uma honra manter o legado dele vivo no palco — conta Neschling. — O grande barato de remontar “Baixa sociedade” é que o Otávio continua absolutamente atual. É o típico sujeito que quer se dar bem de qualquer jeito, que acha que a vida está em dívida com ele. Usa a malandragem para conseguir o que quer e não se importa se os meios para atingir seus objetivos não são os mais nobres. Nós conhecemos muito bem esse tipo. Para o ator, o texto continua atual porque a sociedade, apesar de ter mudado, “permanece igual”. Segundo ele, a peça fala de "uma burguesia cujos critérios de felicidade são os bens materiais". — O mais interessante é como, tanto tempo depois, o espetáculo ainda tem ecos nos momentos atuais. A gente sente que o público se identifica completamente. Por incrível que pareça, a burguesia permanece com os mesmos conceitos até hoje: o carro importado, a piscina, o poder, o prestígio… todas essas coisas substituíram o afeto e a solidariedade. Os valores morais caíram em desuso completamente— pondera Luiz. Mas, para que a obra dialogasse com uma nova geração de espectadores, algumas adaptações foram necessárias. Segundo Neschling, o desafio foi atualizar a linguagem e as referências sem mexer na espinha dorsal criada por Juca. — O nosso jeito de rir mudou muito nos últimos dez anos, que dirá nos últimos cinquenta. Muita coisa que a gente dizia já não diz mais, a própria forma de falar mudou. Então buscamos atualizar alguns elementos para os dias de hoje, sempre respeitando o DNA do Juca e a trama que ele criou com tanta esperteza e graça. Teatro é ao vivo, pode e deve sempre ser atualizado. Temos piadas sobre o que está acontecendo essa semana no Brasil. Isso ajuda o público a se envolver e se reconhecer na história. Serviço Onde: Teatro Clara Nunes, Shopping da Gávea.Quando: de 5 de junho a 26 de julho.Que horas: sex e sáb, às 20h. Dom, às 19h.Quanto: de R$ 140 (balcão) a R$ 160 (plateia).Classificação: 14 anos.
Luiz Fernando Guimarães estreia comédia 'Baixa sociedade': 'Os valores morais caíram em desuso'
Ator, que comemora 50 anos de carreira, reflete sobre trazer texto de Juca de Oliveira de 1979 para os dias atuais e fala de 'uma burguesia cujos critérios de felicidade são os bens materiais'









