O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, buscou diálogo com empresários em duas agendas na capital paulista, nesta segunda-feira (24). O senador incluiu no roteiro uma visita à reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e confirmou presença em uma premiação da revista Veja para empresas de 30 setores. À plateia na Fiesp, Flávio reiterou uma série de críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsabilizando o "governo gastador" do adversário pelo nível de endividamento das famílias e pela elevação da carga tributária. Disse que está dando "nojo olhar para Brasília" e projetou um Congresso ainda mais à centro-direita a partir de 2027. "Por causa dos problemas de governabilidade, o governo atual tem que lançar mão do Supremo Tribunal Federal para governar, o que é uma demonstração de fadiga da nossa democracia, que, na minha opinião, não é plena hoje em dia." Ele prometeu, caso eleito, convidar "ministros técnicos, competentes e honestos", buscar um ambiente de "previsibilidade para quem quer fazer investimento" e "destravar o Brasil, com licenciamentos ambientais dentro da lei, mas sem critério ideológico". "Não vou ficar fazendo promessas absurdas e malucas atrás de voto, como este governo está fazendo", completou. "O Lula faz mais mal para o Brasil do que a pandemia", disse, sob aplausos. Em entrevista coletiva na saída, Flávio foi questionado sobre seus planos para o desenvolvimento do setor industrial e respondeu que é "tirar o PT", em primeiro lugar. Flávio pediu que os eleitores de outros candidatos de oposição, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), considerem votar nele já no primeiro turno. "Se estão votando neles, é porque querem mudança. Peço a todos que considerem já no primeiro turno: votem na mudança de verdade. Votem naquele que tem capacidade, o único que pode derrotar o Lula. Porque, se não for no primeiro turno, vai ser no segundo turno que a gente vai livrar o Brasil das mãos sujas do PT", disse, propondo um movimento de "voto útil". O candidato do PL voltou a rebater as cobranças pela prestação de contas do filme "Dark Horse", justificando que as informações já vieram a público, embora elas sejam consideradas insuficientes por adversários. Ele repetiu que quem deve explicações é Lula e citou o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente, alvo de investigações da Polícia Federal. "Vocês [jornalistas] estão parados no tempo? O Brasil está lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado, 200 indústrias já foram para o Paraguai. E vocês querem insistir com uma relação privada, de um filme privado, que não tem contrapartida pública de nada. Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje é o governo Lula que deve explicações, vão cobrar explicações dele." Nesta segunda-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a ter acesso a informações da investigação realizada pela Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora do filme. Encontro com Skaf Antes de discursar na reunião, Flávio teve um encontro fechado com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também estavam na mesa do evento. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, coordenadora do plano econômico do senador, acompanhou o candidato na visita. Skaf desejou sorte ao presidenciável e disse que ele tem "sensibilidade e consciência" do que "o Brasil está precisando". O dirigente da entidade apontou problemas como elevada taxa de juros, descontrole na segurança pública e insegurança jurídica e afirmou que o país precisa de mudança para "ter um ambiente não hostil" à produção e ao emprego. "Precisamos ter menos burocracia, valorizar aqueles que produzem, que trabalham. Temos que valorizar o empreendedorismo, Flávio", disse o presidente da Fiesp. "A gente conversa bastante, e você mostra essa disposição de fazer uma revolução no Brasil, no bom sentido. Isso é o que a sociedade espera. Vejo que você está cada dia mais competitivo. Desejo boa sorte, [porque] a sua boa sorte será a sorte do Brasil também." Questionado se as falas indicavam apoio a Flávio, ele disse que a Fiesp é apartidária, mas que existe "uma simpatia" às bandeiras defendidas pelo candidato do PL, como políticas de orientação liberal, Estado menor, responsabilidade fiscal e redução nos juros. Ele não respondeu objetivamente se irá declarar apoio ao presidenciável. Ao lado de Skaf, Flávio brincou que já sabia "em quem ele não vai votar", numa provocação a Lula. A reunião ordinária de diretores e conselheiros da Fiesp é realizada quinzenalmente e já recebeu outras autoridades e políticos. Na edição anterior, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição em São Paulo e aliado de Flávio, participou do encontro. O presidenciável, que intensificou a presença no Estado, compareceu à Festa do Peão de Barretos no fim de semana. No evento seguinte com a participação de Flávio, segundo a revista Veja, confirmaram presença representantes de empresas como: Multiplan, Grupo Boticário, Itaú Unibanco, Ambev, Natura, Equatorial Pará, EMS, WEG, AngloGold Ashanti, Suzano, Sabesp, Localiza, Totvs, Claro, Azzas 2154, MRS Logística e Renault do Brasil. Na quarta-feira (25), Flávio viaja para Alagoas, para seus primeiros compromissos no Nordeste desde o início oficial da campanha. A agenda no Estado será acompanhada pelo candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e inclui atividades em Maceió e Arapiraca. Ele deve participar de carreata, encontro com empresários, culto na Igreja Evangélica Assembleia de Deus e motociata. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), Lula e Flávio permanecem na liderança da corrida ao Palácio do Planalto. O candidato do PT tem 39% no primeiro turno, enquanto o do PL marca 33%. Em eventual segundo turno entre eles, Lula registra 47%, ante 43% do adversário. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. Completam o cenário de primeiro turno: Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, Romeu Zema, com 3%, e Augusto Cury, com 2%. Outros postulantes marcaram 1% ou não pontuaram. Votos em branco e nulos totalizam 6%, e indecisos são 4%. Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível, mas teve o nome testado em outro cenário, atingiu 2%.