Presidente Joseph Aoun assumiu o cargo com um mandato popular para reafirmar o controle em Beirute, depois que o grupo militante arrastou o país de volta à guerra, mas passados quatro meses de negociações com Tel Aviv há pouco a mostrar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Meninos acenam com bandeiras do Líbano e do Hezbollah enquanto passam por prédio danificado em meio a retorno de deslocados no sul de Beirute — Foto: Fadel Itani/AFP Quando autoridades libanesas e israelenses se sentaram à mesa em abril para as primeiras conversas diretas em décadas, líderes em Beirute classificaram o encontro como um avanço. Era uma oportunidade, finalmente, de recuperar parte do controle sobre o destino do país, depois que o Hezbollah o arrastou para mais uma guerra com Israel. Passados quatro meses e sete rodadas de negociações, porém, há pouco para mostrar. O impasse representa um golpe para o presidente do Líbano, Joseph Aoun, que assumiu o cargo ano passado com um mandato popular para retirar do movimento xiita o poder que exerce no país. Aoun, eleito pelos parlamentares libaneses, prometeu restaurar o monopólio estatal sobre as armas e reduzir a influência política do Hezbollah. O governo que formou passou boa parte do ano passado avançando nessa promessa, trabalhando para afastar os braços do grupo do aeroporto internacional do país, do porto comercial de Beirute e dos bancos, utilizados para contrabandear armas e divisas. Quando o grupo abriu fogo contra Israel em março, em solidariedade ao Irã, desencadeando outra guerra em grande escala, ficaram expostas as limitações dos esforços para controlá-lo. Por mais que o Estado libanês tivesse reduzido a influência, o Hezbollah ainda era capaz de arrastar o país para uma guerra. Israel insiste que suas forças permanecerão na extensa área do sul do Líbano, tomada durante a atual guerra, até que o Hezbollah seja desarmado. Neste sábado, a Agência Nacional de Notícias do Líbano informou uma série de ataques aéreos e demolições israelenses durante a noite e pela manhã no sul do país. As forças israelenses vêm realizando demolições e ataques quase diariamente há cerca de quatro meses nas áreas que ocupam. O Hezbollah condenou as negociações, afirmando que não considerará entregar suas armas enquanto as forças israelenses não se retirarem do território libanês. E, embora autoridades libanesas afirmem que querem eliminar o poderio militar do grupo, o governo tem pouca capacidade — se é que tem alguma — de efetivamente fazê-lo. O presidente libanês, Joseph Aoun — Foto: Petros Karadjias/AFP Estado libanês novamente paralisado Depois que a mais recente rodada de negociações entre Israel e Líbano terminou sem resultados neste mês, cresce o consenso de que a diplomacia chegou a um impasse. E que, apesar de suas promessas abrangentes, o Estado libanês voltou ao ponto em que esteve durante décadas: paralisado. — Eles estão em completo desacordo — disse Paul Salem, pesquisador sênior não residente do Center for Strategic and International Studies. — Não é um beco sem saída, mas é um impasse neste momento. Durante décadas, o Hezbollah manteve controle ferrenho sobre o Estado libanês. Com um arsenal muito maior que o do Exército do país e uma base de apoio fiel entre a comunidade muçulmana xiita do Líbano, o grupo militante apoiado pelo Irã atuou como árbitro máximo do poder em um país cujo governo há muito tempo é debilitado por disfunção, corrupção e paralisia política. Depois de um cessar-fogo em novembro de 2024, o grupo parecia enfraquecido, e o país, exausto. Pela primeira vez em décadas surgiu uma onda significativa de apoio popular à retirada do poder das mãos do Hezbollah. Após a retomada dos conflitos em larga escala, em março, tanto o governo quanto o grupo tentam demonstrar quem detêm o poder de fato. Cada um, à sua maneira, buscou mostrar quem é capaz de pôr fim à guerra e reverter a nova ocupação israelense. Em junho, os Estados Unidos e o Irã assinaram um acordo preliminar para suspender o conflito entre os países, que também incluía uma interrupção dos combates no Líbano. Isso foi uma prova, argumentou o Hezbollah, de que somente seu principal aliado poderia pôr fim à guerra. Janela de oportunidade pode estar se fechando Desde então, o governo libanês vem tentando demonstrar que , iniciando conversas diretas com autoridades israelenses. Dada a longa história de hostilidade entre os dois países — nenhum dos dois havia reconhecido formalmente a soberania do outro —, analistas afirmam que os próprios encontros representaram um avanço significativo. — O fato de as conversas existirem, de o Estado libanês e o Estado israelense terem dito que querem e continuarão a conversar diretamente entre si, é algo importante para o conjunto de instrumentos disponíveis na região — disse Salem. As negociações levaram os dois lados a concordar, em princípio, com um acordo em etapas: Israel se retiraria de pontos específicos do sul do Líbano à medida que o Exército libanês avançasse para proteger essas áreas e manter o grupo afastado delas. Mas a implementação inicial desacelerou nas últimas semanas, com a recusa de Israel em ampliar o programa, argumentando que os esforços dos militares libaneses ficaram aquém do necessário. Isso deixou o sul do Líbano preso ao mesmo conflito latente em que está mergulhado há meses. As forças israelenses continuaram demolindo edifícios e a infraestrutura nos vilarejos. O Hezbollah segue disparando contra as forças israelenses em território libanês. E centenas de milhares de cidadãos continuam deslocados de suas casas. — As pessoas querem deixar para trás este capítulo de tantos conflitos com Israel, percebidos como algo que atende a uma agenda externa e não aos interesses dos libaneses — afirmou Mohanad Hage Ali, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center, em Beirute. — Mas agora as negociações estão paralisadas, e as pessoas estão esperando. Houve uma janela de oportunidade que as pessoas temem que esteja se fechando.
Quem tem a palavra final no Líbano? Hezbollah e Estado disputam controle em meio a guerra com Israel
Presidente Joseph Aoun assumiu o cargo com um mandato popular para reafirmar o controle em Beirute, depois que o grupo militante arrastou o país de volta à guerra, mas passados quatro meses de negociações com Tel Aviv há pouco a mostrar






