O número de beneficiários unipessoais no programa Bolsa Família voltou a crescer em 2026, ano eleitoral. A categoria alcançou 3,9 milhões em julho, um número abaixo do pico de 5,9 milhões registrado em janeiro de 2023 —que reflete a folha de pagamento de dezembro de 2022, último mês do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)—, mas acima dos 3,5 milhões observados em janeiro deste ano.
A categoria entrou no radar de especialistas e técnicos do Executivo após o fenômeno de divisão artificial das famílias nas eleições de 2022. No fim do ano anterior, a gestão Bolsonaro introduziu um benefício mínimo de R$ 600 por família, independentemente do número de integrantes, o que acabou induzindo pessoas que moravam juntas a declarar que moravam sozinhas para receber mais de um benefício. Simultaneamente, o afrouxamento dos mecanismos de controle permitiu que a prática se alastrasse pelo país.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha tentando regularizar a situação por meio de um pente-fino nos cadastros. Técnicos do Executivo esperavam uma continuidade da redução, mas o que se vê é a inversão desse movimento. De janeiro a julho de 2026, último dado disponível, houve um acréscimo de 344 mil famílias unipessoais no Bolsa Família. No mesmo período, o total de beneficiários também subiu de 18,8 milhões para 19,3 milhões.







