País oferece uma das melhores qualidades de vida e incentiva imigração de pesquisadores com a bolsa Swiss Government Excellence Scholarships. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Suiça — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Os maiores salários da Europa, o terceiro melhor índice de segurança do mundo e qualidade de vida no topo dos rankings globais. A Suíça é um destino de elite, sobretudo para quem atua em tecnologia, finanças, farmacêutica ou biotecnologia. Por outro lado, tem o custo de vida mais alto do continente e uma das políticas de imigração mais rígidas da Europa para quem vem de fora da União Europeia. A Suíça ocupa a 3ª posição no Global Peace Index 2026 e tem o maior IDH desse guia da imigração , de 0,967, e um dos maiores do mundo. O sistema de saúde é universal, mas inteiramente baseado em seguros privados, ou seja, todo residente é obrigado a contratar um plano básico (LAMal) nos três primeiros meses no país. Esses planos privados têm mensalidades que variam de CHF 300 a CHF 600 (entre R$ 1.900 e R$ 3.700), dependendo do cantão (estado) de residência. Para pesquisadores estrangeiros de pós-graduação (pesquisas e doutorado) e artistas, o governo suíço oferece as Swiss Government Excellence Scholarships. No entanto, a bolsa de pós-doutorado foi descontinuada e o subsídio mensal foi padronizado em CHF 2.450 (quase R$ 15.500) para todas as categorias vigentes (pesquisa, doutorado e artes). Custo de vida mais alto da Europa A Suíça oferece um dos maiores salários do mundo, com média em torno de US$ 6.000 mensais, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Como em outros países da Europa, não existe um salário mínimo nacional. O valor é definido de forma independente por alguns cantões ou através de acordos coletivos de trabalho por setor. Em Genebra, por exemplo, a hora trabalhada custa CHF 24,59 (quase R$ 160), o que equivale a aproximadamente CHF 4.475 (cerca de R$ 28.600) mensais para uma jornada de 42 horas semanais. Mas o custo de vida acompanha. Em Zurique e Genebra, o aluguel de um apartamento de um quarto custa entre CHF 1.800 e CHF 2.800 (cerca de R$ 11.500 a R$ 18 mil). Em cidades menores (Basileia, Berna ou arredores), fica entre CHF 1.300 (R$ 8.300) e CHF 1.800. O sistema ferroviário (SBB/CFF) é o melhor do mundo, mas custa caro. O passe mensal em Zurique (ZVV) custa cerca de CHF 85 a CHF 110 (entre R$ 540 e R$ 700). O choque cultural mais comum para brasileiros é quando o assunto é alimentação e carne. A Suíça protege muito sua agricultura local. O quilo da carne bovina, por exemplo, pode custar entre CHF 50 (R$ 320) e CHF 80 (mais de R$ 500). Muitos suíços atravessam a fronteira para a Alemanha ou França apenas para fazer compras de supermercado. Um menu de almoço simples não sai por menos de CHF 30 (quase R$ 200). Quatro idiomas oficiais Para brasileiros, que vêm de fora da União Europeia e da Associação Europeia de Livre Comércio, o acesso ao mercado de trabalho é seletivo e controlado por cotas. O visto de trabalho depende de uma autorização prévia do cantão onde o profissional vai atuar, solicitada pelo empregador e reservada, na prática, à mão de obra qualificada. Ao chegar, o trabalhador recebe a Autorização L, de curta duração, ou a Autorização B, de residência, válida por um ano e renovável enquanto durar o contrato. Vale lembrar que as regras variam de um cantão para outro, já que a Suíça é uma federação descentralizada. Há caminhos para outros perfis. Aposentados e rentistas com mais de 55 anos podem obter residência, desde que comprovem laços estreitos com o país, como imóveis ou parentes, renda passiva alta e o compromisso de não trabalhar. Os estudantes precisam comprovar cerca de CHF 21.000 anuais (mais de R$ 130 mil) e só podem trabalhar após seis meses, com limite de 15 horas semanais. A residência permanente (Autorização C) costuma exigir dez anos de residência legal, prazo que pode cair para cinco em casos de integração bem-sucedida, o que inclui comprovar o idioma oficial do cantão no nível B1 oral. O país tem quatro idiomas oficiais (alemão, francês, italiano e romanche), e dominar o da região é indispensável para se fixar. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.