O Vale do Silício está obcecado pela ideia de bom gosto ("taste"). Se a inteligência artificial permite a qualquer pessoa fazer qualquer coisa, qual será então o diferencial? A resposta do momento é justamente o "bom gosto". Não sou eu quem está dizendo isso. É gente como Greg Brockman, presidente da OpenAI, e colegas que gostam de repetir que "bom gosto é a nova habilidade essencial" do presente.
Já vimos isso acontecer no passado. Com a revolução industrial na Inglaterra, a produção industrial encheu os objetos do cotidiano de ornamentos baratos e grotescos (provavelmente o primeiro caso de "slop", nesse caso, industrial).
A reação veio rápido. A ideia de "bom gosto" virou projeto nacional na Inglaterra. Em 1852 a Inglaterra já tinha suas famosas escolas de design e o Museu Victoria & Albert, com o objetivo de "educar designers, fabricantes e o público" para melhorar a estética da indústria britânica. Em outras palavras, perceberam que mau gosto dá ruim. Fenômeno similar à revolta contra conteúdo descarado feito com IA neste momento.
No mundo de hoje com a IA a ideia de bom gosto tem pelo menos três definições. A capacidade de saber escolher o que deve ser feito dentre as infinitas possibilidades que a IA permite. Ter capacidade e julgamento sobre o que cortar e o que não fazer. Além do bom gosto como capital social e veículo de status, como na formulação de Pierre Bourdieu.







