Jogos já ganharam mais dinamismo com as normas inspiradas no sucesso durante a Copa do Mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O árbitro Bruno Arleu mostra que está contando o tempo durante jogo entre Botafogo e Fluminense — Foto: Reprodução/08/08/2026 Quando assiste a jogos de futebol nos estádios ou pela TV, o torcedor naturalmente deseja ver partidas dinâmicas, e não cenas de embromação. Por isso foi oportuna a decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de adotar nos principais campeonatos do país regras contra cera, as famigeradas manobras dos jogadores para retardar a partida, em geral com intuito de manter a vantagem no placar. A novidade foi usada com sucesso na última Copa do Mundo. Com as novas regras, já começou a punição para atletas e times que tentam atrasar o jogo. Na primeira rodada com as mudanças, o tempo de bola rolando aumentou 5%, segundo a CBF. Uma das regras mais duras determina a retirada de um jogador de linha por um minuto quando o goleiro da mesma equipe solicitar atendimento médico — o treinador tem dez segundos para decidir quem sai, ou o capitão deve deixar o campo. O objetivo é coibir a cena clássica em que o goleiro desaba no gramado simulando lesão. Embora não tenha sido adotada na Copa do Mundo, a regra será implementada na próxima temporada das ligas espanhola e inglesa. A única medida já adotada era o tempo máximo de oito segundos para o goleiro ficar com a bola na mão, sob risco de ser punido com escanteio. Nas substituições, agora o jogador tem dez segundos para deixar o gramado depois que o árbitro ergue a placa. Ao receber atendimento médico à beira do campo, precisa esperar um minuto para voltar, deixando o time momentaneamente com um a menos. A demora para bater lateral e tiro de meta também passou a ser reprimida. Quando o árbitro percebe que o atraso é intencional, inicia contagem visual de cinco segundos. Caso o tempo seja ultrapassado, a cobrança reverte para o time adversário. Da mesma forma, o goleiro tem cinco segundos para cobrar tiro de meta. Do contrário, o árbitro marca escanteio para a outra equipe. Há críticas de torcedores de que os juízes têm enrolado na contagem para a reversão. É preciso manter o rigor. Segundo estudo da CBF, o tempo de bola rolando nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro (52m54 e 51m09, respectivamente) é decepcionante na comparação com outras ligas. Fica atrás de Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Espanha e Itália. Supera apenas a Argentina. O objetivo da CBF é chegar a 57 minutos de bola rolando. O avanço depende também de fatores como redução do número de faltas, tempo para cobrá-las, atendimentos médicos e uso do VAR. Não há dúvida de que as partidas tendem a ficar mais atraentes. Já era hora de o futebol brasileiro amadurecer, privilegiando o tempo com a bola. Chegam a ser ridículas as artimanhas dos jogadores para retardar o jogo, especialmente quando se aproxima o fim do tempo regulamentar, ainda que ultimamente os árbitros tenham tentado compensar o problema com acréscimos generosos. É um alento saber que, dos 40 clubes das Séries A e B, apenas dois (Grêmio e Vitória) não votaram pela implementação imediata das novas regras.