Nas rochas do Brasil, não faltam registros de como era a vida na Era dos Dinossauros –temos grandes predadores de fazer inveja ao célebre Tyrannosaurus rex, répteis voadores de cristas portentosas e muito mais. O grande paradoxo, porém, é que, por aqui, uma fatia significativa dessa fase tão importante para a história da Terra também tem algo de fantasmagórico. Trata-se de uma fauna-fantasma, cujos restos se resumem, quase sempre, a meras pegadas ou outras marcas indiretas deixadas na areia.

E areia, diga-se de passagem, era o que não faltava nas dunas do chamado paleodeserto Botucatu, uma área vastíssima nos atuais Sudeste e Sul do país. Tenho um carinho especial por esse deserto de antanho, porque parte do calçamento da minha cidade natal, e até certas colunas de sua catedral, foram feitas com pedaços de arenito que um dia foram dunas. E neles podemos ver pegadas de dinossauros, de simples besouros ou até as parcas gotas de chuva que caíram ali há 130 milhões de anos. Quase não há restos ósseos nas rochas correspondentes ao paleodeserto.

É claro que é preciso certa paciência detetivesca para interpretar tais marcas sutis e associá-las aos bichos que as produziram. Mas o prêmio para essa atenção aos detalhes pode ser um bocado recompensador, conforme indica um estudo que saiu recentemente na revista especializada Journal of South American Earth Sciences. Se os autores da pesquisa estiverem corretos, algumas pegadas na paleoareia revelam a existência do maior mamífero da Era dos Dinossauros conhecido até agora. Um bicho do tamanho de um cachorro grande, ou até de uma onça-parda.