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22/08/2026 03h30 Atualizado há 32 minutos

Mineradoras iniciaram uma corrida silenciosa por áreas que podem conter urânio, justamente enquanto o governo prepara a regulamentação que permitirá a participação privada na exploração do minério. Hoje, a extração de urânio é monopólio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), mas a Lei 14.514, sancionada em dezembro de 2022, abriu um caminho para que empresas privadas participem do setor por meio de parcerias com a estatal. O decreto que definirá as regras ainda está em discussão na Casa Civil.

De lá para cá, nos últimos três anos, duas empresas abriram 213 processos na Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisar ou explorar ferro, ouro, cobre e outras substâncias em territórios que coincidem com jazidas ou regiões favoráveis à ocorrência de urânio. O levantamento, feito pelo Instituto Internacional Arayara, identificou sobreposições que, em alguns casos, ultrapassam 90% da área de jazidas conhecidas.

A movimentação ocorre num momento de valorização do minério. Com a retomada da energia nuclear como alternativa para reduzir emissões de carbono, a demanda por urânio ganhou força e elevou os preços. Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), o valor médio pago pelas usinas nucleares americanas subiu 72% entre 2021 e 2025, de R$ 183 mil para R$ 327 mil por tonelada.