Samylle Valentina Borba Ramiro foi vítima de politraumatismo na última segunda-feira; Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, confessou ser autor de agressões e se entregou à polícia na quinta 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nicolas Gabriel, de 22 anos, e a sobrinha Samylle Valentina Borba Ramiro — Foto: Reprodução Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, confessou ter causado as agressões que levaram à morte da sobrinha Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4, na última segunda-feira, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. O suspeito, em depoimento à Polícia Civil, afirmou que deu "tapas" na região das nádegas da criança com a intenção de educa-lá após a menina ter evacuado na roupa. O Tribunal de Justiça gaúcho manteve a prisão preventiva do suspeito após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira. As agressões aconteceram no domingo, e Samylle foi levada já sem vida a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) na madrugada do dia seguinte. Segundo a polícia, a criança chegou com a tia materna e com Nicolas ao local. No entanto, o homem teria deixado a UPA ao perceber a chegada dos policiais. A menina apresentava manchas roxas pelo corpo, e o atestado de óbito confirmou a causa da morte como politraumatismo. Nicolas confessou o crime e foi preso na quinta-feira. Em depoimento, negou ter provocado lesão em outra parte do corpo da criança. — Ele disse que ela teria feito cocô nas calças e que para educar ele teria desferido esses tapas no bumbum. Ele negou agressão em qualquer outra parte do corpo dela, abuso sexual ou uso de qualquer outro instrumento — disse a delegada Aline Fernandes, que investiga o caso. De acordo com a delegada, a tia, que ainda é considerada testemunha, afirmou que estava trabalhando e que, quando chegou em casa, notou os hematomas nas nádegas da criança. Ela teria discutido com o companheiro, com quem mantém um relacionamento há três anos, por conta das agressões. — Ela (tia materna) disse ainda que a menina foi dormir, mas, ao passar pelo quarto, viu a criança convulsionando e espumando pela boca. Foi então que começaram a tentar socorrê-la e a levaram para uma UPA. A Polícia Civil aguarda o laudo de necropsia com o detalhamento sobre outras possíveis lesões. Briga pela guarda da criança Samylle morava com os tios desde julho deste ano. Como mostrou o g1, o histórico mostra que a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública desde abril de 2025. Nesse período, a guarda da criança foi transferida entre familiares até ela passar a viver provisoriamente com a tia. Segundo a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com ela, porque a companheira trabalhava fora. --- Legalmente a mãe detinha a guarda. O que tinha acontecido é que ela tinha se separado do atual companheiro e se se mudou para a casa de uma amiga. Então, ela não teria como levar as duas filhas com ela. Em razão disso, passou as crianças para uma pessoa de confiança. Mas como não era uma pessoa da família, a tia foi até o Conselho Tutelar, conseguiu um termo de responsabilidade provisório e estava levando a documentação na Defensoria Pública para regularizar essa guarda — explicou a delegada. A mãe, de acordo com Fernandes, alega que, além da instabilidade de não ter onde morar, enfrentava uma questão com dependência química atualmente em tratamento. Ainda conforme informou o g1, a defesa da mãe informou que a tia não permitia que ela visitasse ou mantivesse contato com a filha. O pai da criança também afirmou que era impedido de vê-la. A irmã da vítima morava com o pai biológico. A investigação trata o caso como homicídio doloso e considera o tio como principal suspeito, mas as investigações continuam em curso. (*Estagiária sob supervisão de Luã Marinatto)