O atestado de óbito confirmou a causa da morte da menina como politraumatismo. De acordo com a polícia, Samylle estava morando com os tios há pelo menos dois meses. Foram eles que levaram a menina até a UPA no dia da morte dela, mas o homem fugiu quando a polícia chegou ao local. Samylle deu entrada na madrugada de segunda-feira (17) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, já sem vida e com manchas roxas pelo corpo. A polícia foi acionada imediatamente após os médicos constatarem sinais de violência no corpo da criança. De acordo com a delegada Alice Fernandes, que investiga o caso, a tia afirmou que no dia da morte, percebeu que Samylle apresentava lesões. Ela havia chegado em casa após o trabalho e teve uma discussão com o companheiro após questioná-lo sobre os ferimentos. "A menina foi para o quarto dormir. Quando a tia passou, a menina estava na cama, dormindo. Viu que ela apresentava uma espuma pela boca, como se estivesse convulsionando”, conta a delegada. "Todas as informações que ela tinha da menina eram ou através da avó ou através da irmã mais velha. Ela não estava tendo contato nem por videochamada nem presencialmente com a menina." Segundo a defesa da mulher, ela era impedida pela tia de ver a filha. Leia a íntegra no final da reportagem. "A mãe afirma que vinha sendo impedida pelos tios de visitar a filha e até mesmo de conversar com ela por telefone. As únicas informações eram obtidas por meio da irmã mais velha, que eventualmente conseguia visitá-la." Ainda segundo a polícia, a mãe detalhou como as filhas foram divididas. "Acabou se separando do companheiro e foi para a casa de uma amiga. Ela não teria como levar as meninas consigo. Em razão disso, a menina mais velha passou a morar com o pai, e a menina mais nova ficou sob tutela de uma amiga, uma pessoa de confiança que morava na mesma rua. Logo em seguida, a tia pegou a criança para ficar consigo", explica a delegada. A tia de Samylle já foi ouvida pelos investigadores. De acordo com a delegada, a mulher colaborou com as autoridades. "Prestou todas as declarações e até o presente momento ela ainda é considerada testemunha." Para auxiliar na investigação, a Justiça autorizou a extração de dados de um celular apreendido na casa dos tios, onde a menina estava morando. O conteúdo do aparelho é considerado crucial pela polícia para entender o contexto da morte. Caso Samylle: tio de menina de 4 anos morta no RS é preso — Foto: Reprodução/Redes sociais Samylle e irmã eram acompanhadas pelo Conselho Tutelar Samylle Valentina e a irmã, de 9 anos, passaram a ser acompanhadas pelo Conselho Tutelar em abril de 2025, após denúncias de abuso sexual do pai da menina contra a meia-irmã da menina. Na ocasião, ambas foram encaminhadas para a casa dos avós maternos. Meses depois, em outubro de 2025, a guarda de Samylle voltou para a mãe. Em julho deste ano, a tia informou ao Conselho Tutelar que a menina estaria sem os cuidados adequados da mãe. Ela recebeu um termo de responsabilidade e buscava, na Justiça, obter a guarda definitiva da sobrinha. Poucos dias antes da morte, havia procurado a Defensoria Pública para tratar do assunto. Samylle Valentina Borba Ramiro, menina de 4 anos que morreu no RS — Foto: Reprodução Avós relataram ferimentos Os avós maternos da criança foram ouvidos pela polícia na segunda-feira. Segundo relataram em depoimento, Samylle apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. A explicação recebida na ocasião era de que as lesões teriam sido provocadas por uma queda. Os relatos passam a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores. O que diz a defesa da mãe "A família de Samylle Valentina Borba Ramiro. esclarece que a mãe prestou depoimento ontem à autoridade policial e relatou os fatos conforme ocorreram. A mãe não estava presa, conforme foi divulgado por alguns meios de comunicação. Ela compareceu para prestar esclarecimentos e permanece colaborando com as investigações. Por razões relacionadas ao segredo de Justiça, não é possível detalhar as circunstâncias envolvendo a guarda das filhas. Registra-se, contudo, que a mãe teve a guarda das crianças retirada em duas ocasiões: a primeira, há aproximadamente um ano, e a segunda, cerca de dois meses antes do ocorrido, quando a filha foi levada para a residência de uma tia. Desde então, a mãe afirma que vinha sendo impedida pelos tios de visitar a filha e até mesmo de conversar com ela por telefone. As únicas informações eram obtidas por meio da irmã mais velha, que eventualmente conseguia visitá-la. Nas últimas duas semanas, porém, nem mesmo esse contato teria sido permitido. A família está profundamente consternada com o ocorrido e informa que adotará todas as medidas cabíveis para esclarecer os fatos e buscar a responsabilização adequada perante a Justiça. Por respeito à criança e ao segredo de Justiça, a família não divulgará outras informações que possam expô-la ou prejudicar as investigações. Porto Alegre, 20 de agosto de 2026 Lesliey Gonsales Gressler" LEIA TAMBÉM VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Caso Samylle: tio de menina morta é preso no RS | G1
Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi levada pelos tios a uma UPA de Porto Alegre na segunda-feira (17), onde já chegou sem vida.








