PUBLICIDADE Liberação de corpo da criança depende de reconhecimento formal; suspeita tenta aval para deixar presídio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oliver, de 3 anos, foi espancado e morto pelo pai em Viamão, no Rio Grande do Sul — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 09:42 Corpo de menino morto por espancamento aguarda reconhecimento no RS; pais presos por abusos. O corpo do menino Oliver, morto aos 3 anos após ser espancado pelo pai no RS por não dar "bom dia", continua no IML devido à ausência de reconhecimento formal. A mãe, Mayanna Rodgers, também presa, busca liberação para realizar o procedimento. Ambos os pais são investigados por agressões repetidas aos cinco filhos. A defesa de Mayanna alega que ela é vítima de violência doméstica. O caso trouxe à tona um histórico de abusos familiares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A mãe do menino Oliver, que morreu após ser espancado por não dar "bom dia" ao pai, no Rio Grande do Sul, busca o aval das autoridades para deixar o presídio e reconhecer formalmente o corpo do filho no Departamento Médico-Legal. Mayanna Angelina Rodgers também foi detida, assim como o marido, o missionário americano Dandre Jermaine Grayson, por suspeitas de atos violentos contra a prole. Investigações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) apontam que o missionário e a mulher agrediam os filhos com a intenção declarada de corrigi-los e discipliná-los. O pai agrediu Oliver no domingo (5), dia em que foi preso em flagrante. A criança morreu na quarta-feira (8), e o corpo foi levado para o DML. Como a mãe foi presa no dia seguinte (9), não houve, até agora, quem pudesse reconhecer formalmente o corpo, etapa necessária para a liberação de Oliver para o velório. A defesa de Mayanna tenta obter na Justiça a autorização para que ela vá até o IML. Os advogados afirmaram ao UOL que não foram apontados outros parentes que possam realizar o procedimento. A diretoria do presídio é contra o aval para a saída da detenta por riscos de segurança a ela e à escolta em razão da repercussão do caso. Assim, a cerimônia de despedida de Oliver segue indefinida. O pai, que se apresenta como missionário de uma igreja evangélica, é natural dos Estados Unidos, e a mãe é japonesa. Mayanna morava no Brasil com a família havia nove anos, passando pelos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Eles estavam havia cerca de sete meses em Viamão (RS), onde Oliver morreu, e se sustentavam com ajuda financeira da comunidade religiosa. O GLOBO procurou o Instituto-Geral de Perícias, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, mas ainda não obteve retorno. Agressões aos cinco filhos A Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou ter descoberto que os outros quatro filhos do casal — de idades entre 1 e 9 anos — também sofriam agressões frequentemente. A corporação indicou que Dandre e Mayanna agiam com violência conforme "a cultura e a religião indicavam". — Sob o argumento de que estariam disciplinando de forma rígida, porém correta, inúmeras agressões, de ordem física e psicológica, foram impostas às crianças — disse a delegada Luana Medeiros, em declarações reproduzidas pelo Metrópoles. Segundo a delegada, a investigação também apontou que a mãe das crianças praticava atos de violência contra os cinco filhos. Em um dos registros, em São Paulo, Mayanna foi acusada de agredir um dos filhos com uma cinta. Pai e mãe passaram a ser investigados por tentativa de homicídio, homicídio e tortura em razão das lesões constatadas nas demais crianças. A mãe foi presa preventivamente na tarde de quinta-feira (9). Os quatro filhos foram submetidos a perícias física e psicológica e estão protegidos por medidas protetivas. Eles também foram acolhidos em um abrigo e são acompanhados pelo Conselho Tutelar. Em nota nas redes sociais após a prisão, a defesa de Mayanna afirmou que a cliente é vítima de violência doméstica e estava "em estado grave de vulnerabilidade". Entenda o caso Oliver, de 3 anos, foi brutalmente espancada e morta pelo pai em 5 de julho, no município de Viamão. Segundo a Polícia Civil, o homem confessou as agressões e afirmou que bateu no filho porque ele não lhe deu "bom dia". O agressor foi preso em flagrante no Hospital de Viamão devido à gravidade dos ferimentos da criança. O menino chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na tarde de quarta-feira (8). De acordo com a investigação, ele sofreu lesões gravíssimas, que "chegaram a deslocar o coração de lugar", além de traumatismo craniano com achatamento do crânio. A polícia também constatou que a família possui um extenso histórico de violência, com registros em Santa Catarina e São Paulo, além de atendimentos pelos Conselhos Tutelares.