22/08/2026 03h30 Atualizado há 32 minutos

Influenciadora e caçula do clã Kardashian, Kylie Jenner aparece num vídeo no Instagram de frente para o espelho maquiando os lábios. Seus mais de 380 milhões de seguidores a veem usando apenas roupão e óculos escuros. Talvez nem todos percebam que o acessório no rosto dela tem uma luz branca piscante na lateral. Mas é bom ficar atento: este é o sinal de que imagens estão sendo captadas pelo AI Glasses da Meta, os óculos inteligentes da dona de Facebook, Instagram e WhatsApp e os mais populares do mercado.

Os acessórios (de grau ou não, com lente escura ou transparente, com preço em torno de R$ 4 mil) gravam vídeo, fotografam, tocam música e estão acoplados a ferramentas de inteligência artificial que ajudam, por exemplo, a traduzir no ouvido do dono o que alguém está falando em outra língua. Tudo por comando de voz, com um simples “Hey, Meta”. Por tantas funcionalidades, seu uso tem levantado discussões entre especialistas e consumidores sobre inovação, privacidade e direito de imagem. Ontem, foi anunciado que o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coding Rights acionaram o Ministério Público Federal (MPF), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) contra os óculos da Meta, argumentando justamente que eles permitem a gravação de vídeos e a captura de fotos e áudio das pessoas ao redor, muitas vezes sem que elas percebam. Para as organizações, isso cria riscos de violência, assédio e violação de direitos.