Tela de artista português foi tema de conversa privada entre Marco Aurélio Santana Ribeiro e Roberta Luchsinger 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marcola e Roberta Luchsinger — Foto: Patrick Grosner/Divulgação e Reprodução/Instagram Mensagens que constam na investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência de Roberta Luchsinger com Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mostram que o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, teria pedido um quadro avaliado em 100 mil euros à lobista Roberta Luchsinger, investigada por supostamente intermediar interesses de empresários junto ao governo federal. Em outro trecho da conversa, Roberta informa que a obra estava sendo emoldurada para entrega. A comunicação foi publicada pelo Estadão e confirmada pelo GLOBO. Nas mensagens, Roberta pergunta a Marco Aurélio se ele havia gostado de um quadro de um artista português que lhe mostrara anteriormente. O então chefe de gabinete responde: "E meu quadro? Kkk". Em seguida, a lobista envia uma fotografia da obra e informa que ela estava sendo emoldurada para entrega. Segundo a investigação da Polícia Federal, a troca de mensagens é tratada como mais um indício do suposto pagamento de vantagens indevidas a Marcola, em troca da intermediação de interesses de empresários representados por Roberta. As conversas também mostram que a lobista encaminhou ao então chefe de gabinete uma lista de demandas de seu interesse junto ao governo federal e recebeu como resposta um pedido para que ambos conversassem por telefone. Em nota enviada ao GLOBO, os advogados de Marcola afirmam que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos autos e alegam que o inquérito vem sendo parcialmente vazado "com objetivo de distorcer o próprio teor da investigação". Segundo a nota, "nunca houve recebimento de obra de arte ou objetos de valor" por parte de Marco Aurélio. A defesa sustenta ainda que a própria mensagem, seguida da expressão "kkk", demonstra que "não se trata de uma cobrança de fato" e conclui que o ex-chefe de gabinete "jamais recebeu o referido quadro ou qualquer outro". Os advogados também afirmam que Marcola "nunca intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações públicas". Como mostrou O GLOBO, Luchsinger pretendia vender 1,2 milhão de frascos de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, em uma transação que poderia render até R$ 626 milhões. Uma minuta sobre a negociação foi enviada pela empresária a Marcola. A pasta, por sua vez, informou que "nunca houve possibilidade de compra de canabidiol, uma vez que o produto sequer está incorporado ao SUS". A defesa de Lulinha afirmou que "reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo". Os advogados pontuaram ainda que solicitarão, "uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais". Já os advogados de Marcola, por sua vez, afirmaram que o “vazamento seletivo de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, tem objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”. A defesa diz ainda que o ex-chefe de gabinete nunca “encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.