Ministro da Fazenda diz ainda que não trata de propostas específicas com o mercado financeiro, mas reafirma compromisso com contas públicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não está tratando de propostas específicas e pontuais em conversas com o mercado financeiro, mas que há um compromisso com uma trajetória para as contas públicas. “A crise que se coloca, que se quer pintar, é de expectativa, que a trajetória da dívida não acomoda nos próximos anos. Então, o que nós vamos sinalizar é a manutenção de uma regra fiscal que garante necessariamente que a despesa pública vá crescer menos do que a receita”, afirmou em entrevista à Globo News. Durigan disse ainda que o governo pretende continuar “apertando” o arcabouço fiscal para obter resultados fiscais "cada vez melhores". Ele evitou cravar uma redução de 2,5% para 1,5% no limite de crescimento real das despesas, mas afirmou que o governo vai estabelecer “uma trajetória de sustentabilidade, com redução da dívida no longo prazo”. Segundo ele, não está em discussão a desvinculação do salário mínimo dos benefícios previdenciários e sociais. Sobre o arcabouço fiscal, Durigan afirmou que o compromisso é buscar mecanismos para que o crescimento de partes específicas do Orçamento acompanhe a trajetória das despesas como um todo. “Isso não significa proposta específica daquilo para além do que nós estamos sinalizando. A revisão do gasto obrigatório está colocada, nós já temos feito isso”, acrescentou o ministro. O ministro disse que tem se reunido com economistas de diferentes correntes e representantes de instituições financeiras e afirmou não ter dificuldade em discutir propostas. De acordo com Durigan, essas conversas são importantes para ouvir diferentes diagnósticos, incorporar outros pontos de vista e aperfeiçoar propostas, mas não significam a adoção de “receitas pré-moldadas”. “O diálogo é sempre muito produtivo. E ainda que a gente converse com quem pensa diferente da gente, eu, digo pela minha própria experiência, aprendo muito, reforçou. Durigan voltou a defender a redução do crescimento das despesas obrigatórias para ampliar o espaço para gastos discricionários, sobretudo investimentos voltados ao aumento da produtividade. Segundo ele, esse esforço também passa pela revisão de privilégios e pela otimização da máquina pública e, ao melhorar a trajetória fiscal, pode contribuir para abrir espaço para a queda dos juros. O ministro afirmou que, em vez de promover um “cavalo de pau” na política econômica ou recorrer a “discursos fáceis”, o governo deve seguir uma trajetória de ajuste coerente com as medidas adotadas ao longo da atual gestão. Dario Durigan, ministro da Fazenda — Foto: Wenderson Araujo/Valor