O arco de uma vida é vasto e pode até passar de uma forma morna e diminuta, mas se a dona desta vida quiser, acontece muita coisa. Uma vida intensa, assim foi a de Virginia Murano, nascida em São Paulo em 25 de abril de 1950.
Desde criança, exercia a força e a curiosidade que foram suas marcas. Mexia com as ferramentas do seu pai ajudando-o a consertar carros, sua paixão num momento em que mulheres não dirigiam. Com ele, aprendeu a manusear a furadeira, que tanto utilizou para pendurar quadros e toda sorte de objetos que decorariam suas casas ao longo dos anos —sempre gostou de carregar sua memória perto.
Ainda na faculdade de jornalismo da ECA/USP, montou em casa um laboratório para revelar suas fotos. Registrou em detalhes e particulares ângulos de sua história, mas, principalmente, a de sua família.
Em 1972, conheceu nesta Folha seu marido Pedro Del Picchia, então diagramador do jornal, depois redator, repórter e editor. Virginia fora trabalhar também na diagramação, onde ficou de julho daquele ano até outubro do seguinte. Consta que, quando ele a viu pela primeira vez, disse que era "a mulher de sua vida". Virginia voltou ao jornal como editora assistente entre dezembro de 1991 e abril de 1992.






