Qual o impacto das canetas para obesidade na alimentação?O nutricionista e fisiologista Hamilton Roschel explica como esses medicamentos interferem nos hábitos alimentares. Crédito: TV EstadãoMesmo após o governo fixar um teto de 3,6% para taxas de vale-refeição e alimentação, o custo médio subiu para 6,18% em 2026, segundo pesquisa Ipsos-Ipec. Pequenos restaurantes foram os mais afetados, com taxas chegando a 6,44%. Em São Paulo, a taxa média foi de 8,62%. A Associação Nacional de Restaurantes critica a falta de cumprimento das regras e alerta para a importância de modernizar o Programa de Alimentação do Trabalhador. O presidente da ANR, Fernando Blower, destaca a necessidade de manter o tema em pauta, mesmo em ano eleitoral.BRASÍLIA - Mesmo após o governo estabelecer um teto para a taxa cobrada de restaurantes por empresas de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), o custo médio do benefício subiu de 5,19% para 6,18% em um ano, segundo pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, divulgada na quinta-feira, 20.O decreto de regulamentação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), assinado em 2025 e em vigor desde fevereiro deste ano, determinou que essa taxa deveria ser de, no máximo, 3,6%. As mudanças no PAT foram feitas com o intuito de baratear a alimentação do trabalhador, melhorar a margem de lucro dos restaurantes e incentivar que novos estabelecimentos passassem a aceitar o VA e o VR, aumentando a rede credenciada e dando mais opções para o trabalhador usar os benefícios.Segundo a pesquisa, o impacto é ainda mais significativo entre os pequenos estabelecimentos Foto: EstadãoPUBLICIDADENo entanto, a pesquisa Ipsos-Ipec mostra que, em vez de baixar, essas cobranças aumentaram após a medida. Entre 2025 e 2026, a taxa média descontada pelas operadoras de vale-refeição teve aumento de quase um ponto porcentual em apenas um ano, ficando 1,7 vez acima da taxa média cobrada pelos cartões de crédito.Segundo a pesquisa, o impacto é ainda mais significativo entre os pequenos estabelecimentos. Nos restaurantes com faturamento mensal de até R$ 30 mil, que representam 63% da amostra pesquisada, a taxa média do vale-refeição saltou de 4,79% para 6,44%, crescimento superior ao registrado na média geral. Mesmo após as medidas de modernização do PAT, a percepção do setor é de que pouco mudou: 58% dos entrevistados afirmam não ter notado mudanças nas taxas cobradas pelas operadoras, enquanto 27% dizem ter percebido aumento nesses custos.Entre as regiões analisadas pelo levantamento, São Paulo apresentou a maior taxa média descontada sobre as operações com vale-refeição, chegando a 8,62%. Os dados também mostram que o ticket continua sendo o meio de pagamento mais caro para estabelecimentos. PublicidadeEnquanto o Pix segue sendo a alternativa mais econômica, com taxa média de 1,06%, o cartão de débito registra 1,77% e o cartão de crédito 3,62%, o vale-refeição/alimentação alcança média de 6,18% e permanece como a modalidade com maior custo para os restaurantes.Como foi realizada a pesquisaAs entrevistas foram realizadas pessoalmente com os responsáveis pelos restaurantes selecionados na amostra entre os dias 19 de junho e 6 de julho de 2026. Foram realizadas 360 entrevistas, considerando a seguinte distribuição: 60 em Manaus (AM), 40 em Salvador (BA), 40 em Recife (PE), 60 em Goiânia (GO), 100 em São Paulo (SP) e 60 em Porto Alegre (RS). Para amostra total, a margem de erro é de 5 pontos porcentuais com nível de confiança de 95%.Para a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), os resultados reforçam a importância de consolidar a modernização do PAT. O presidente executivo da associação, Fernando Blower, avaliou que o governo, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), não está inerte e a entidade seguirá cobrando o cumprimento das regras. “Mas a gente sabe que a gente está no semestre de eleição, no fim de mandato. É muito importante que esse movimento não pare”, observou. Para ele, a principal missão do governo é não deixar a pauta em segundo plano.PublicidadeLeia tambémNovas regras para vale-refeição e alimentação podem gerar economia de R$ 8 bi ao ano, estima FazendaNovas regras de vale-alimentação e vale-refeição entram em vigor; entenda mudançasNovo marco do Brasil para vales-refeição e alimentação derruba ações de empresas francesasNa avaliação de Blower, a postura de desrespeito às regras parte de todas as empresas. “Não é de uma ou de outra, não. Parece um movimento muito coordenado”, disse. “Não estamos olhando para o restaurante somente. Para podermos ofertar bons preços e comidas de qualidade, precisa ter uma cadeia de custos equilibrada, equalizada. Hoje, um meio de recebimento muito importante para o restaurante, que é o vale-alimentação, está sendo superfaturado, ilegalmente.”Vale ler tambémA despesa de seguro-desemprego deveria ter caído, mas saltou 188% em termos reais entre 2003 e 2014Bancos privados estudam entrar em financiamentos no Minha Casa, Minha VidaSicredi supera R$ 500 bi em ativos e se consolida entre maiores bancos