Medida dá aos juízes mais tempo para analisar o pedido formal do governo para que as obras do salão de US$ 400 milhões possam continuar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Casa Branca e as obras em andamento do salão de baile, vistas de uma janela do Monumento a Washington, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 15 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Al Drago/Foto de arquivo A Suprema Corte dos Estados Unidos permitiu nesta sexta-feira que o governo do presidente Donald Trump continue, por enquanto, as obras de seu projeto de salão de baile na Casa Branca, suspendendo temporariamente uma ordem judicial que paralisaria grande parte da construção. A medida da corte, conhecida como suspensão administrativa (administrative stay), dá aos juízes mais tempo para analisar o pedido formal do governo para que as obras do salão de US$ 400 milhões possam continuar enquanto tramita uma ação movida por um grupo de preservação histórica que busca interromper o projeto. Em uma petição apresentada à Suprema Corte em 14 de agosto, advogados do Departamento de Justiça reiteraram o argumento de Trump de que o projeto é uma necessidade de segurança, citando tentativas de assassinato contra o presidente e outras ameaças recentes. “Este caso envolve uma liminar extraordinária e ilegal que interromperá a construção em andamento do complexo militar integrado, incluindo um espaço de salão de baile totalmente seguro, na Ala Leste da Casa Branca, que é de importância vital para a segurança nacional”, escreveram. A organização sem fins lucrativos National Trust for Historic Preservation entrou com uma ação no ano passado depois que o governo demoliu a Ala Leste da Casa Branca e começou a construir um salão de baile de 90 mil pés quadrados (8.360 metros quadrados) sem solicitar aprovação específica do Congresso. Trump afirmou que o salão será “o melhor de seu tipo já construído”. O projeto combina o salão de baile na superfície com um amplo complexo subterrâneo. Trump afirmou que a obra inclui abrigos antiaéreos, instalações médicas, proteção contra drones e mísseis e outros recursos de segurança, que estão “todos interligados como uma única unidade grande, cara e muito complexa”. Em 7 de agosto, o Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia, por 2 votos a 1, manteve a ordem do juiz federal Richard Leon que determinava que o governo interrompesse as obras acima do solo. Construção do salão de baile na Casa Branca, vista de uma janela do Monumento a Washington, em Washington, em 13 de agosto de 2026. REUTERS/Nathan Howard/Foto de arquivo. — Foto: REUTERS/Nathan Howard/Foto de arquivo ‘Um inquilino temporário’ “Cada presidente é um inquilino temporário, não o proprietário, da Casa Branca” e não pode modificá-la de maneira fundamental sem a aprovação do Congresso, afirmou a decisão do tribunal de apelações. A ordem do juiz de primeira instância não proibiu permanentemente a construção do salão de baile. Ela suspendeu as obras acima do solo, mas permitiu que a construção subterrânea continuasse, assim como trabalhos considerados “estritamente necessários” para a segurança e a proteção da Casa Branca. Em sua decisão, o tribunal de apelações afirmou que argumentos relacionados à segurança nacional “não são um passe automático para descumprir a lei”. O Departamento de Justiça afirmou na petição de 14 de agosto que o projeto como um todo na Ala Leste, incluindo tanto as instalações subterrâneas quanto o salão de baile acima do solo, está 65% concluído. Trump afirmou que o projeto do salão de baile é uma necessidade de segurança e se referiu à estrutura como um “centro militar” em uma publicação na Truth Social. O presidente classificou a decisão do tribunal de apelações como “horrenda” e politicamente motivada e disse que ela o deixava, assim como outros integrantes da Casa Branca e visitantes, exposto a ataques. “Essa decisão injusta precisa ser integralmente anulada pela Suprema Corte”, escreveu Trump. O National Trust for Historic Preservation pediu aos juízes da Suprema Corte, em documentos apresentados ao tribunal, que rejeitassem a tentativa do governo de continuar a construção do salão enquanto o processo tramita. “Todos os tribunais que analisaram a questão concordaram que [o governo Trump] não tem autoridade legal unilateral — constitucional, prevista em lei ou de qualquer outra natureza — para construir um enorme salão de baile no local da agora demolida Ala Leste”, escreveram os advogados do grupo. “E todos os tribunais disseram [ao governo], de maneira inequívoca, que devem interromper a construção ilegal a menos e até que obtenham aprovação expressa do Congresso”, acrescentaram. O projeto faz parte dos esforços mais amplos de Trump para remodelar a paisagem de Washington, incluindo planos para construir um arco de 250 pés (76 metros) de altura e reformar o Kennedy Center, um importante centro cultural e de espetáculos. A Ala Leste demolida abrigava os escritórios da primeira-dama e o cinema da Casa Branca. A estrutura foi originalmente construída em 1902, durante a Presidência de Theodore Roosevelt, e ampliada significativamente em 1942, durante a Presidência de Franklin Roosevelt. Uma equipe de demolição desmonta a fachada da Ala Leste da Casa Branca, onde está sendo construído o salão de baile proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, em 21 de outubro de 2025 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst/Foto de arquivo