“O nosso fator de ocupação está maior do que o mesmo período do ano passado”, diz o CEO, Adrian Neuhauser, ponderando que a taxa não caiu mesmo com subida na tarifa de mais de 10% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Segundo a Abra, tratativas com o BNDES já avançaram e a ideia é fechar financiamento ainda neste ano — Foto: Foto: Wagner Assis/Cedro Photos Os executivos da Abra, holding das companhias aéreas Gol e Avianca, apontaram, nesta sexta-feira (21), que há uma demanda firme por viagens nos seus mercados, mesmo diante da disparada do preço das passagens em razão da guerra no Oriente Médio. De acordo com Adrian Neuhauser, CEO da holding, e Manuel Irarrazaval, diretor financeiro (CFO) do grupo, há espaço para crescer a tarifa ainda mais nos próximos meses. “O nosso fator de ocupação está maior do que o mesmo período do ano passado”, disse Adrian Neuhauser, ponderando que a taxa não caiu mesmo com uma subida na tarifa de mais de 10%. “Vemos oportunidade [de aumento de tarifa] em toda a malha, não é algo limitado ao Brasil ou à Colômbia”, afirmou ele, em teleconferência de resultados. No segundo trimestre, a empresa viu seu “yield” (ou seja, o preço pago para se voar um km) subir 10,3%. O executivo disse que as sinalizações estão positivas quanto ao Brasil. Em junho, a demanda acabou sendo mais fraca do que o esperado devido à Copa do Mundo. Já no lado da Avianca, o CEO disse que o cenário é mais volátil, sobretudo na rota para a Europa, onde a competição com as aéreas estaria mais intensa. Neuhauser ponderou que as aéreas europeias começaram a ter uma queda na sua proteção de “hedge”, o que tem feito serem menos agressivas no preço. Neuhauser comentou ainda o avanço do processo de combinação de negócios com a Sky. Até agora, a holding conseguiu aprovações de órgãos regulatórios no Chile, Brasil e Peru. “Esperamos que [o negócio] vai ser estrategicamente importante para nossa malha”, disse. Ainda conforme o CEO, o trimestre foi desafiador também em razão da baixa sazonalidade e também pelas variações cambiais que afetaram os números. Já Irarrazaval disse que a empresa continua focada em ajustar seu capital, em economizar custos e fazer uma boa gestão de sua liquidez. O executivo apontou os desafios com combustível. As despesas da empresa com o produto no trimestre cresceram em US$ 445 milhões. “O preço do combustível quase dobrou nesse trimestre”, disse. Financiamento do governo Os executivos comentaram também as linhas de financiamento liberadas pelo governo para o setor aéreo. Uma das oportunidades no radar é com o FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil). Segundo a Abra, tratativas com o BNDES já avançaram e a empresa espera concluir a linha ainda neste ano. Irarrazaval disse ainda que a empresa está estruturando uma linha com garantias fornecidas pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) para a Avianca. “É a primeira vez que uma aérea não brasileira vai ser capaz de usar essa linha”, disse Irarrazaval. Recentemente, o grupo conseguiu uma linha com a ABGF para a manutenção de motores da Gol. A linha prevê compromissos de até US$ 160 milhões, com prazo de 36 meses para cada desembolso.