'É território ainda inexplorado', explica geólogo. Camada de crosta terrestre é oito vezes mais antiga do que área vizinha onde hoje há produção petrolífera. Experiência no pré-sal deve ajudar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma plataforma de petróleo no Golfo do México — Foto: Mauricio Palos/Bloomberg As duas maiores petroleiras da América Latina fazem uma aposta de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo em rochas que não veem a luz do dia há 160 milhões de anos. A Petrobras e a Pemex uniram forças para investigar uma camada da crosta terrestre sob o Golfo do México mais antiga, profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os atuais megacampos do mundo. Os riscos físicos, financeiros e ambientais são enormes, diante dos desafios inerentes à perfuração em busca de petróleo a quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas rochosas instáveis e submetidas a alta pressão. O alvo é um conjunto geológico na costa do estado mexicano de Campeche que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. A área contrasta com os poços no lado americano do Golfo, que produzem petróleo aprisionado em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos. Petrobras e Pemex, por sua vez, querem perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de uma era em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares. Para a Pemex, trata-se de uma cartada extrema para tentar se revitalizar em meio a uma dívida sufocante, à queda da produção de petróleo e a uma reputação de ineficiência e riscos à segurança. Mas a iniciativa também é relevante para o mercado global de petróleo, já que a guerra com o Irã e outras turbulências geopolíticas no Oriente Médio expuseram os perigos da concentração de uma parcela tão grande da oferta em uma única região. O incentivo para perfurar as formações mais antigas está na possibilidade de uma recompensa muito maior, pois elas constituem a chamada rocha geradora, onde detritos orgânicos foram comprimidos, submetidos a altas temperaturas e transformados em petróleo. As rochas mais jovens, em contraste, são apenas bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram aprisionados ao longo do tempo. Equipes das duas empresas começaram nas últimas semanas a avaliar dados sísmicos e outras informações geológicas com o objetivo de realizar algo que nunca foi feito fora do Brasil. — A Petrobras está entrando em território inexplorado — disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração durante uma carreira de 34 anos na companhia. A geologia do lado mexicano do Golfo “a torna particularmente favorável à acumulação de petróleo”, acrescentou Zalan. Conheça plataformas de Petróleo da Petrobrás pelo Brasil 1 de 8 FPSO Anita Garibaldi, na Bacia de Campos (RJ) — Foto: Agência Petrobrás 2 de 8 Navio-plataforma nos campos de Marlim, Voador e Brava, na Bacia de Campos. — Foto: Agência Petrobrás X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Petrobras vem ampliando investimentos para se tornar carbono zero até o ano de 2050 — Foto: Helmut Otto/Agência Petrobras 4 de 8 O navio-plataforma P-68 opera nos campos de Berbigão e Sururu, no pré-sal da Bacia de Santos. — Foto: Agência Petrobrás X de 8 Publicidade 5 de 8 FPSO Carioca, plataforma que produz no campo de Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos. — Foto: Agência Petrobrás 6 de 8 Plataforma P-74 no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Andre Ribeiro / Banco de Imagens Petrobras X de 8 Publicidade 7 de 8 Navio-plataforma Anita Garibaldi deixa estaleiro rumo à Bacia de Campos — Foto: Agência Petrobrás 8 de 8 Plataforma P-71, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Agência Petrobrás X de 8 Publicidade Conheça plataformas de petróleo da Petrobras pelo Brasil A Petrobras tem experiência singular na exploração de rochas geradoras em uma camada da crosta que os geólogos chamam de pré-sal. Uma série de descobertas gigantescas em alto-mar perto do Rio de Janeiro, iniciada em 2006, deu origem a uma expansão transformadora da produção de petróleo do pré-sal na maior economia da América do Sul. Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações do pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo fracassaram em grande medida. — A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital para esse tipo de exploração — disse Mark Rowan, geólogo e consultor radicado no Colorado, especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México. — Mas o fato de ser de alto risco não significa que os hidrocarbonetos não estejam lá. As empresas estão dispostas a perfurar áreas de altíssimo risco e a serem pioneiras porque as recompensas potenciais, em caso de sucesso, são enormes. Em 2018, a Pemex perfurou mais de 7.800 metros abaixo do leito marinho e atravessou a camada de sal de Campeche. Embora o poço exploratório tenha sido declarado improdutivo, no jargão do setor isso não significa necessariamente que tenha sido inútil. Os dados e conhecimentos obtidos nesse poço podem fornecer pistas valiosas aos geólogos e engenheiros da Petrobras e da Pemex. — Aparentemente, o que a Pemex encontrou não os fez desistir. Isso sugere que não houve nenhum fator absolutamente impeditivo para a exploração e, possivelmente, que encontraram algo que lhes deu motivos concretos para continuar os testes — disse Rowan. Mesmo que haja petróleo sob o sal, levá-lo até a superfície será um desafio. Sob as altas temperaturas e pressões encontradas nas grandes profundidades do subsolo, o sal se comporta mais como um líquido do que como um sólido, e atravessá-lo exige equipamentos e técnicas especializados. Os poços também precisam se mostrar economicamente viáveis, e uma única perfuração em águas profundas pode facilmente custar centenas de milhões de dólares. Além de explorar a zona do pré-sal, as empresas planejam procurar petróleo sob rochas sedimentares formadas por avalanches de lama e areia a quilômetros abaixo da superfície do mar, assim como sob formações salinas mais jovens e menos profundas, disse Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, durante entrevista à imprensa em 7 de agosto. Petrobras, gasolina mais barata, transição e até fusão nuclear: O que os presidenciáveis propõem para o setor energético Gigantes do setor como Chevron e Shell extraem petróleo dos chamados campos subsal há mais de 30 anos. Embora essas reservas estejam sob águas muito profundas e apresentem uma série própria de riscos, perfurar os recursos muito mais antigos do pré-sal buscados por Petrobras e Pemex envolve outro patamar de complexidade e risco. Uma descoberta comparável ao campo de Tupi, encontrado pela Petrobras em 2006, representaria o desenvolvimento mais significativo para a Pemex em seus 88 anos de história. A descoberta ajudaria a concretizar o objetivo de sucessivos presidentes mexicanos e presidentes-executivos da Pemex de revitalizar a produção daquela que já foi a joia da coroa da economia do país. No Brasil, a exploração das reservas do pré-sal desencadeou um salto na produção de petróleo que transformou uma economia amplamente dependente das exportações agrícolas em uma potência energética no continente. Só Tupi já produziu 4 bilhões de barris de petróleo desde que entrou em operação, em 2010. Isso representa mais de US$ 300 bilhões em valor econômico, com base nos preços internacionais médios do petróleo nesse período. — Muita coisa depende do que realmente mostram os dados do poço do pré-sal perfurado pela Pemex em 2018, e eles mantiveram os resultados desse estudo sob rigoroso sigilo — disse Jon Blickwede, geólogo e proprietário da Teyra GeoConsulting, de Houston. — Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob o sal, isso seria extremamente significativo.
No Golfo do México, Petrobras se une à Pemex em busca de petróleo em rochas jurássicas
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