Embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, condenou tentativas de apropriação da terra de palestinos-americanos após cerco a aldeia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 6min Veículos usados por colonos israelenses na vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, são vistos em frente às casas que eles estão sitiando em 18 de agosto de 2026 — Foto: ILIA YEFIMOVICH/AFP Alemanha, França, Itália e Reino Unido intensificaram nesta quinta-feira a crescente condenação internacional a um projeto de assentamentos na Cisjordânia ocupada, depois que as autoridades israelenses abriram licitação para mais de 1.200 casas na região. A expansão dos assentamentos no território vem gerando crescente tensão há semanas, marcada por ações violentas por parte dos colonos. Após cerco de colonos a uma aldeia na semana passada, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, condenou tentativas de apropriação da terra de palestinos-americanos e a descreveu tal comportamento como "uma violação da lei de Deus". O documento assinado pelos quatro países insta Israel a "retirar imediatamente esses planos e pôr fim à expansão de seus assentamentos na Cisjordânia". "O direito internacional estabelece claramente que os assentamentos israelenses na Cisjordânia são ilegais", afirma a declaração conjunta. "Num momento de grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis e sérias restrições à economia palestina, esta decisão é ainda mais preocupante." Os assentamentos "nos afastarão ainda mais da paz" e também "minarão ainda mais a posição internacional de Israel", finaliza o documento. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o plano representa uma "ameaça existencial" à continuidade territorial de um Estado palestino. Já o ministro das Relações Exteriores belga, Maxime Prévot, classificou as licitações como "inaceitáveis" e afirmou que o projeto "prejudicaria seriamente a viabilidade da solução de dois Estados". Sua condenação ecoou uma declaração feita na quarta-feira pelo principal diplomata britânico, Ed Miliband, exigindo o fim do projeto e da expansão dos assentamentos, o que levou Londres a convocar o encarregado de negócios de Israel. Seu homólogo israelense, Gideon Saar, reagiu: "O povo judeu tem o direito de viver em toda a Terra de Israel, assim como os britânicos têm o direito de viver em Londres e em todo o Reino Unido", escreveu ele no X. Ele também acusou o Reino Unido de "culpar apenas Israel, ignorando o extremismo palestino", o qual, segundo ele, estaria alimentando ataques antissemitas contra a comunidade judaica britânica. Embora os assentamentos sejam considerados ilegais segundo o direito internacional, o governo israelense promoveu sua rápida expansão nos últimos tempos. Em agosto do ano passado, Israel aprovou os planos para o terreno de aproximadamente 12 quilômetros quadrados conhecido como E1, localizado a leste de Jerusalém. O plano prevê a construção de aproximadamente 3.400 casas em uma faixa de terra entre Jerusalém e o assentamento israelense de Ma'ale Adumim. A licitação mais recente abrange mais de 1.200 unidades habitacionais, de acordo com a ONG israelense Paz Agora. 'Violação da lei de Deus' — Se alguém é dono da terra e da casa, e alguém chega e toma posse dela, expulsando a família apavorada, isso é uma violação, não apenas da lei humana, mas também da lei de Deus — disse à agência Reuters o ex-governador republicano do estado americano do Arkansas. Soldados israelenses patrulham rua durante operação na vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, em 13 de agosto de 2026 — Foto: ZAIN JAAFAR / AFP Ao ser perguntado sobre qual mensagem o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha para os colonos que consideram tomar propriedades pertencentes a palestino-americanos, Huckabee referiu-se às escrituras judaicas e cristãs: — Acho que a mensagem vai além da administração Trump. É uma mensagem de civilidade básica e comportamento civilizado. Você não pega algo que não lhe pertence. O embaixador afirmou ainda que os envolvidos poderão ser punidos com sanções dos EUA, como a proibição de entrada no país. A polícia israelense, por sua vez, não anunciou nenhuma prisão ou acusação contra qualquer colono supostamente envolvido no cerco. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também não comentou sobre o caso. Horas depois, segundo o jornal israelense Haaretz, um assentamento foi restabelecido no norte do território, 21 anos depois de ter sido desmantelado como parte da retirada de Israel de Gaza e de partes do norte da Cisjordânia em 2005. Participaram da cerimônia de reinauguração membros importantes do governo Netanyahu. Violência em alta Um homem palestino prepara-se para rezar em uma mesquita incendiada por colonos israelenses na aldeia de Qusra, ao sul de Nablus, na Cisjordânia — Foto: John Wessels / AFP Nesta quinta-feira, seis pessoas ficaram feridas em ataques violentos de colonos israelenses na aldeia palestina de al-Mughayyir, perto de Ramallah, informou o Crescente Vermelho Palestino. Desde janeiro de 2023, 127 comunidades palestinas na Cisjordânia sofreram deslocamento total ou parcial, incluindo 47 que foram completamente deslocadas, afetando mais de 6.390 palestinos, segundo a ONU. A organização registrou que, em 2026, cerca de 3,8 mil palestinos, quase metade deles menores, foram deslocados devido à violência de colonos, demolições e despejos. Com agências internacionais.
Alemanha, França, Itália e Reino Unido exigem que Israel interrompa a expansão dos assentamentos na Cisjordânia
Embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, condenou tentativas de apropriação da terra de palestinos-americanos após cerco a aldeia












