“Nunca vi cenas como estas antes” tem sido uma das frases mais repetidas por moradores de ao menos oito países europeus – Alemanha, Inglaterra, Espanha, França, Croácia, Grécia, Bélgica e Portugal –, nos quais as altas temperaturas de verão têm provocado incêndios devastadores e fora de controle. As chamas obrigam a evacuação de milhares de moradores, em vilarejos inteiros, e causam tanto a morte de indivíduos envolvidos pelo fogo quanto de pacientes com comorbidades, que sucumbem aos problemas de saúde agravados pelas altas temperaturas.

A falta de adaptação ao calor no transporte público e em outros espaços de circulação massiva faz crescer ainda mais o desconforto térmico e os problemas de saúde, especialmente nas capitais e grandes centros urbanos, nos quais temperaturas acima dos 38 graus são incomuns. Ônibus cujas janelas não abrem e repartições públicas fechadas, sem ar-condicionado ou ventilador, são clássicos da inadaptação europeia aos verões que têm se tornado a cada ano mais quentes e letais. Mesmo em postos de atendimento de saúde é comum a ausência de climatizadores. Na França, o governo ordenou a compra de aparelhos de ventilação e ar-condicionado em regime de urgência, aos milhares.