O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou como entrevistado da série de sabatinas do GLOBO, CBN e Valor na manhã desta quinta-feira (19). Tarcísio defendeu o fim da reeleição para cargos no Executivo, afirmou confiar “absolutamente” na segurança das urnas eletrônicas e considerou válido o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), embora tenha dito que o debate não deve ser personalizado. Na área de educação, prometeu um novo concurso para professores e reforço no ensino de matemática, enquanto na segurança afirmou trabalhar para reduzir os índices de feminicídio e ampliar políticas de proteção às mulheres. Câmeras corporais e feminicídio Durante a sabatina, Tarcísio afirmou que a pauta “está muito em alta” e que deve dominar os debates eleitorais. Entre as suas propostas, estão a ampliação da assistência a vítimas de violência sexual, a criação de um cadastro estadual de condenados por crimes contra a mulher e a ampliação do número de delegacias da mulher com atendimento 24 horas — hoje, segundo Tarcísio, são 18. Tarcísio defendeu a manutenção do modelo atual de câmeras corporais da Polícia Militar, que não faz gravação ininterrupta. O governador afirmou que o sistema possui um mecanismo de acionamento remoto e um “buffer” que registra continuamente as imagens e, quando a câmera é acionada, recupera os 90 segundos anteriores ao acionamento. Segundo ele, uma nova funcionalidade permite que uma câmera acionada por um policial também provoque o acionamento das câmeras de agentes que estejam nas proximidades, por meio de Bluetooth. — Lá atrás você, você tinha queixa com acionamento contínuo, porque muitas vezes a câmera estava desligada, tinha reclamação de falta de bateria, e quando há intenção, a pessoa burla. Agora, a gente está diminuindo a possibilidade de isso acontecer porque nós desenvolvemos uma série de funcionalidades — falou. Questionado sobre a alta de violência contra a mulher no estado — houve aumento de 6,4% nos feminicídios em 2025 em comparação com 2024, aumento acima da média nacional — Tarcísio afirmou que é um crime “super difícil de combater” e que vem discutindo “o tempo todo” com sua equipe como resolver a situação. Ele afirmou que o governo está aumentando “os canais de comunicação para as mulheres” que o governo está disponível para elas, e mencionou programas como o Abrigo Amigo, uma central de atendimento que funciona nos pontos de ônibus a noite para as mulheres, e o Não se Cale, um protocolo para atendimento de mulheres vítimas de assédio ou violência em bares, restaurantes e outros espaços públicos. — E tem o tornozelamento e monitoramento dos agressores de mulheres, São Paulo foi pioneiro nisso, e outros estados começaram a copiar. A gente está evitando feminicídio, nenhuma mulher que tinha medida protetiva e que tinha o agressor tornozelado foi vítima de feminicídio. Então é uma política pública eficaz. A gente instituiu a patrulha SP Mulher Segura e estamos no segundo mês seguido de redução do feminicídio, a questão do tornozelamento tem funcionado muito, levar o agressor para os grupo reflexivo e a criação do banco de dados dos agressores, para que as mulheres saibam quem é e criar um constrangimento para o agressor — mencionou. Fim da reeleição Tarcísio também defendeu, durante a entrevista, o fim da reeleição para cargos no Executivo, um compromisso de campanha assumido por Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o governador, a proposta é “fundamental” e Flávio pretende “honrar” o tema por uma PEC da qual é signatário. Tarcísio também pediu a formação de um consenso para executar uma “reforma mãe”, como classifica mudanças nas leis que regem a política. Em seu plano de governo, Flávio propõe que o presidente da República fique inelegível para o mesmo cargo no mandato subsequente, restabelecendo o modelo anterior à emenda constitucional de 1997, que instituiu a reeleição no país. – O Flávio procurou fazer um gesto, ser signatário de uma emenda de fim da reeleição (...), porque alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente pensa: ‘tenho que me reeleger, não posso fazer isso, é impopular’. A gente precisa de pessoas que tomem o desgaste, que façam aquilo que precisa ser feito. Acredito que Flávio, caso seja eleito, vai honrar (o fim da reeleição), até porque ele é signatário da PEC – afirmou Tarcísio. Para o candidato do Republicanos, o gesto de Flávio sinaliza "alternância" de poder, o que traz incentivos "para uma série de grupos e partidos". Entretanto, ele evitou cravar se pretende concorrer ao Planalto no próximo pleito federal. – Mas não dá para pensar em 2030, está muito distante, tem muita água para rolar, a gente tem que superar 2026, ver como vai ficar o cenário, muita coisa pode acontecer. Ganhando a eleição aqui, tem um mandato para fazer, tem resultados que precisam ser apresentados, isso não pode estar na cabeça em hipótese alguma agora – disse. Impeachment de ministros do STF O candidato também comentou brevemente sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), umas das principais pautas da direita bolsonarista. Diferente dos seus aliados, que têm o ministro Alexandre de Moraes como alvo prioritário, o governador apenas defendeu o mecanismo como algo “válido” que não deve ser personalizado e transferiu o debate político do tema para o Senado — Acho que a gente não pode personalizar o debate, mas discutir o instrumento. O instrumento é válido, existe, está regulamentado? Sim. O presidente da República não pode sofrer impeachment? Sim, tivemos dois que sofreram. Se um presidente pode sofrer impeachment, um ministro também não pode? Pode, desde que também o devido processo aconteça. Aí é um processo político que tem endereço, o Senado — afirmou. Concurso para professores e foco em matemática Durante a sabatina, Tarcísio fez diversas promessas para a educação caso seja reeleito para um segundo mandato, como a realização de um grande concurso para professores em 2027, um programa para intensificar o ensino de matemática na rede pública e ampliação das escolas em tempo integral. — A gente fez um concurso para 15 mil professores, foi um concurso grande e a nossa ideia é, já no primeiro ano de mandato, operacionalizar outro concurso grande também. Depois, fazer mais concursos menores e mais frequentes. Concurso aberto, sem nenhuma vantagem para quem já está na rede. Claro, quem já está na rede e trabalha como temporário, tem uma vantagem natural, até porque uma das fases do concurso é a exposição de uma aula — falou. O governador afirmou estar “preocupado com a fluência em matemática” e por isso propôs o Pacto Pela Matemática em seu programa de governo. — Com o pacto pela matemática, a minha preocupação é preparar os jovens para a economia do conhecimento, para a IA, para a computação de alto desempenho, para a questão dos semicondutores, das baterias, da energia e aí matemática vai ser fundamental. A gente já aumentou a carga horária de 60% em português e 70% em matemática — acrescentou. Indagado se pretende ampliar o programa de escolas cívico-militares, Tarcísio afirmou que a expansão “depende mais da vontade das comunidades escolares do que da nossa própria vontade”, mas evitou falar em números – hoje, são cem escolas no modelo em 89 cidades. Urnas Outro tema importado do bolsonarismo é o debate com relação a segurança das urnas eletrônicas. Tarcísio foi na posição oposto à Flávio e defendeu o equipamento. Para o governador, o assunto é um ponto que já deveria ter sido ser superado. — Eu confio absolutamente na segurança das urnas, acho que isso não é pauta, não é mais pauta e não deve ser. A gente tem que falar de outras pautas — afirmou o candidato. O tema surge em meio a uma nova ofensiva do clã bolsonarista ao mecanismo. Recentemente, Flávio reprisou um comportamento do pai ao realizar uma reunião com diplomatas com dados falsos sobre as urnas e relembrando. O comportamento foi o mesmo que levou seu pai à inelegibilidade após decisão do Supremo. Para sustentar o argumento, Flavio têm usado dados inverídicos sobre a atuação da empresa venezuelana Smartmatic no Brasil. A mesma companhia aparece em documentos da CIA divulgados pela gestão Donald Trump, nos Estados Unidos.
Sabatina GLOBO/CBN/Valor: Veja como foi a entrevista com Tarcísio em cinco pontos
Candidato à reeleição, governador defende fim da reeleição, diz confiar nas urnas eletrônicas e considera válido impeachment de ministros do STF, mas rejeita personalização do debate











