O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição em São Paulo, afirmou que o "foco dos partidos (do Centrão) é fazer bancadas"', durante a sabatina O GLOBO, CBN e Valor, nesta quinta-feira. Tarcísio fez a afirmação ao comentar o descasamento entre a eleição estadual, em que ele tem apoio de diversos partidos de centro e direita, e a corrida presidencial, na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputa sozinho contra Lula (PT). — Acho que o foco desses partidos (do centrão) no final das contas é fazer bancada, então cada partido está privilegiando a formação de suas bancadas dentro das suas realidades locais. A bancada é diversa, a gente tem uma realidade de Sul e Sudeste, mas uma realidade diferente no Norte e Nordeste, tem parlamentares que preferem estar com o Lula no Nordeste, parlamentares que preferem estar com Flávio no Sudeste. E os partidos deixaram seus diretórios a vontade. E a gente pode discutir o quanto isso é importante para a política brasileira, podemos discutir uma reforma política — disse o governador. Tarcísio é o segundo entrevistado das sabatinas com os candidatos ao governo do estado. Ontem, foi a vez de Fernando Haddad (PT). O programa teve início às 10h30 e vai até o meio-dia. A entrevista é conduzida por Vera Magalhães, colunista de O GLOBO, Marcello Corrêa, editor de Política do Valor, e Guilherme Muniz, apresentador da CBN. Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho. Na corrida à reeleição, Tarcísio, ao contrário de quatro anos atrás, depende cada vez menos do chamado "bolsonarismo raiz". No discurso de sua convenção, realizada no início do mês, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, o candidato evitou temas polêmicos (citou Jair Bolsonaro apenas uma vez, ao dizer que o ama) e focou em suas realizações, como a privatização da Sabesp e a entrega de obras que estavam prometidas havia anos, como o Rodoanel Norte e a ampliação do Metrô. Outra diferença em relação à campanha de 2022 é o número de partidos que o apoiam. Serão 12 legendas: PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PP, União Brasil e MDB, além do próprio Republicanos. Com uma ampla frente partidária, o governador conseguir diminuir o rol de concorrentes, o que pode facilitar sua busca pela reeleição. Mesmo na condição de candidato à procura de um novo mandato em São Paulo, Tarcísio defendeu o fim da reeleição para cargos no Executivo, ao comentar uma promessa de Flávio nestas eleições, e pediu a formação de um consenso para executar uma “reforma mãe”, como classifica mudanças nas leis que regem a política. – O Flavio procurou fazer um gesto, ser signatário de uma emenda de fim da reeleição (...), porque alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente pensa: ‘tenho que me reeleger, não posso fazer isso, é impopular’. A gente precisa de pessoas que tomem o desgaste, que façam aquilo que precisa ser feito. Acredito que Flávio, caso seja eleito, vai honrar (o fim da reeleição), até porque ele é signatário da PEC – afirmou Tarcísio. Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado no fim do mês passado, o governador lidera as intenções de votos com 15 pontos a mais que Haddad. São 41% para Tarcísio, ante 26% para o petista. Os outros três candidatos, juntos, somam cinco pontos, o que aponta para a possibilidade de resolução em primeiro turno, uma vez que a diferença entre a dupla supera a expectativa de votos dos demais. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Problemas nos trens Na sabatina, Tarcísio comentou ainda os recentes problemas nos trens da CPTM concedidos à empresa Trivia. Pouco depois do negócio, um incêndio em uma composição levou o governador a devolver a gestão dos ramais para a CPTM. — Quando a gente faz a contratação, a gente busca sempre as melhores competências que estão no mercado. A Trivia faz parte do grupo Comporte, da família Constantino, que tem empresas de ônibus e empresas aérea. Imagina a segurança que uma empresa de aviação tem. Eles desenvolvem aptidão para outras áreas também, já operam o metrô de Belo Horizonte, eles ganharam o leilão do Trem Intercidades, operam a Linha 7 (Rubi), operam o VLT da Baixada. A empresa concorreu ao certame, ganhou o certame. A gente teve um cuidado, e foi um aprendizado, de estender o período de operação com a empresa privada. Quando houve a passagem definitiva de bastão, a gente teve uma série de problemas, foram três dias de problemas. E aí a gente decidiu dar um passo atrás. Foi inédito. O contrato já previa que isso poderia acontecer, tanto que a gente colocou uma previsão que a regulação tinha o poder de dar um passo atrás e retomar a operação para a CPTM, que foi o que a gente fez. Vamos rever operação, vamos rever protocolos. O que as pessoas precisam entender é que eu sei que as pessoas sofrem muito no transporte, e a velocidade dessa melhora é inferior ao que as pessoas estão esperando de nós. Por que a gente fez a concessão? Não é concessão por concessão, um dogma que a iniciativa privada vai fazer melhor que o público — afirmou. Também ao contrário da última campanha estadual, um dos principais temas que já abordados pelos dois candidatos, a violência contra a mulher, fez parte do primeiro discurso de Tarcísio no início oficial da corrida eleitoral, domingo (16), em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele previu que "a pauta da mulher está muito em alta e vai dominar os debates", principalmente sob o viés da segurança pública, do empreendedorismo e da saúde. Como mostrou O GLOBO, o tema "mulher" foi citado 19 vezes no plano de 2022, menos do que as 63 enumerações deste ano. De assistência às vítimas de violência sexual, passando pelo cadastro estadual de condenados a crimes contra a mulher, o programa de Tarcísio promete triplicar o número de delegacias especializadas que atendam 24 horas por dia, um dos pontos pelo qual o governo costuma ser fustigado pelo grupo político de Haddad. Atualmente, esse número é de 18. A chapa de Tarcísio é composta ainda pelo candidato a vice-governador Felício Ramuth (MDB) e pelos dois postulantes ao Senado: o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), e pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública.