Metade das impugnações cita suspeita de envolvimento dos políticos com o crime organizado; Justiça eleitoral vai julgar os casos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 André Ceciliano, presidente da Alerj — Foto: Vitor Soares/Alerj/Arquivo Ao menos 15 candidatos no Rio de Janeiro tiveram o registro questionado na Justiça eleitoral. Os motivos da impugnação, em sua maioria de autoria do Ministério Público Eleitoral, vão desde suspeitas de envolvimento com o crime organizado a contas públicas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ou do Estado (TCE). Entre os postulantes na mira da procuradoria estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) André Ceciliano (PT) e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) – ambos candidatos a deputado estadual. O MP Eleitoral ainda vai divulgar um balanço final de quantos pedidos de contestação foram feitos para o pleito de outubro no Rio. Esse número deve se tornar público na sexta-feira (21), uma vez que a procuradoria tem um prazo de cinco dias para questionar a candidatura. O prazo é contado a partir do registro do candidato, cuja data-limite foi dia 15 deste mês. O foco do MP neste ano é evitar que pessoas suspeitas de envolvimento com o crime organizado estejam nas urnas. A procuradoria faz parte de um grupo de trabalho criado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) para averiguar a situação criminal dos postulantes. Fazem parte da força-tarefa: Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Forças Armadas (através do Comando Militar do Leste), Secretaria de Segurança Pública e Secretaria de Administração Penitenciária. Dos 15 pedidos de impugnação já feitos, pelo menos sete são por suspeitas de envolvimento com facções e grupos criminosos. É o caso de João Drumond (PRD), neto do bicheiro Luizinho Drummond, e de Junior da Lucinha (PSD), filho da deputada estadual Lucinha (PSD), investigada por supostas ligações com a milícia. Segundo o MP e a Justiça eleitoral, a simples ligação familiar com suspeitos de integrarem organização criminosa não é suficiente para barrar a candidatura. Contudo, segundo alega a procuradoria, há contra os dois, que tentam uma cadeira na Alerj, indícios de participação efetiva nesses grupos ilegais. Já no caso de Canella, há pelo menos três pedidos de impugnação, feitos por adversários — entre eles, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que tenta o Executivo estadual e também teve o registro de candidatura questionado por haver contra ele uma condenação de improbidade administrativa. O Ministério Público Eleitoral também deve se manifestar pedindo o indeferimento da campanha do ex-prefeito de Belford Roxo, que está na mira da Polícia Federal sob suspeita de ser o braço político de um esquema de lavagem de dinheiro na região metropolitana do Rio. No processo contra Canella, o TRE-RJ também deu um prazo de três dias, contados a partir desta quinta-feira (20) para que ele apresente suas certidões criminais. O pedido de impugnação de Ceciliano, por sua vez, se deve à rejeição das contas da prefeitura de Paracambi durante a gestão do petista. Ao menos dois parlamentares com mandato atual também tiveram o pedido de candidatura questionado. Um deles é o deputado estadual Val Ceasa (PRD), suspeito, segundo o MP, de envolvimento com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Em junho, o parlamentar foi alvo de uma operação da procuradoria estadual e da Polícia Civil pelos supostos vínculos com o grupo. De acordo com o procurador regional eleitoral do Rio, Flávio Paixão, Ceasa teria tentado impedir, em 2023, uma operação policial em imóveis irregulares em Parada de Lucas. Os locais eram fortificações de luxo equipadas pela facção para disparar contra as forças de segurança. Segundo o MP Eleitoral, há ainda investigações que apontam que o deputado nomeou assessores ligados ao crime organizado em seu gabinete, na Alerj. O outro político com mandato que teve a candidatura questionada é o deputado federal Dr. Flávio (PL-RJ), cujas contas foram rejeitadas pelo TCU. Para basear os pedidos de impugnação de candidatos suspeitos de envolvimento com o crime, o MP Eleitoral se segura em dois instrumentos jurídicos: o artigo da Constituição Federal que prevê que partidos não podem se utilizar de organização paramilitar e um precedente da eleição de 2024 que indeferiu a candidatura de Fabinho Varandão (MDB) com base em provas colhidas pelo MP Eleitoral, sem precisar de uma condenação. A decisão foi referendada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo — Foto: Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo
Ao menos 15 candidatos tiveram registros questionados no Rio
Metade das impugnações cita suspeita de envolvimento dos políticos com o crime organizado; Justiça eleitoral vai julgar os casos









