País registra o surto com maior letalidade da história 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um profissional de saúde mede a temperatura de uma paciente com suspeita de Ebola, enquanto ela é transportada para o Hospital de Rwampara, em Ituri, no leste da República Democrática do Congo — Foto: Glody Murhabazi / AFP A OMS anunciou esta quinta-feira (20) a disponibilização à República Democrática do Congo (RDC) de 70 mil doses da vacina Ervebo, aprovada contra a estirpe Zaire do vírus Ebola, mas não contra a cepa Bundibugyo, que circula atualmente no país. "Esta atribuição inclui 20 mil doses destinadas a um ensaio clínico de fase 3 para avaliar o impacto da vacina sobre o vírus Bundibugyo, e 50 mil para trabalhadores da linha da frente e profissionais de saúde na República Democrática do Congo", explicou a OMS num comunicado. A RDC declarou, no dia 15 de maio, com várias semanas de atraso, a sua décima sétima epidemia de Ebola. As regiões afetadas, do norte e do leste do país, apresenta uma presença fraca do Estado, com infraestruturas de saúde são precárias. Dessa maneira, a resposta local está sobrecarregada pela explosão de casos. A epidemia já causou mais de duas mil mortes num total de 5.105 casos confirmados, de acordo com os últimos dados publicados pela OMS, tornando este surto de Ebola o mais letal registrado até agora no Congo, onde se propaga a uma velocidade sem precedentes. Na semana passada, a RDC solicitou vacinas Ervebo provenientes das reservas mundiais do Grupo Internacional de Coordenação (GIC) para o fornecimento de vacinas, composto pela OMS, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR) e a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), com o apoio financeiro da Aliança para as Vacinas (Gavi). Os especialistas da OMS não sabem se a Ervebo protege os seres humanos contra a cepa Bundibugyo, mas os primeiros dados obtidos em laboratório e em animais sugerem que poderá oferecer algum grau de proteção. No dia 7 de agosto, a OMS recomendou que a Ervebo fosse avaliada num ensaio clínico. A vacina é fabricada pela empresa farmacêutica norte-americana Merck. As modalidades do ensaio clínico ainda não foram definidas, mas este deverá decorrer na RDC, o único país onde a cepa Bundibugyo circula atualmente. Duas vacinas específicas contra essa cepa encontram-se em fase de ensaios clínicos: uma está em desenvolvimento pela farmacêutica Moderna, que utiliza tecnologia de ARN mensageiro (ARNm), e a outra pela Universidade de Oxford (Reino Unido). E a outra vacina, denominada rVSV Bundibugyo, apresentada pela OMS como a mais promissora, será desenvolvida pela Hilleman Laboratories, uma organização que pesquisa vacinas com sede em Singapura.