Surto de ebola no Congo: quais os riscos para o Brasil e o mundo?A OMS já declarou que o surto é uma emergência de saúde pública de importância internacional. Crédito: EstadãoA epidemia de ebola na República Democrática do Congo já causou mais de 2.500 mortes e avança rapidamente, alertou Julien Harneis, coordenador da ONU. A epidemia, iniciada em maio, supera a de 2018-2020, com 43 profissionais de saúde mortos. A resposta é criticada por lentidão e desorganização. Ensaios clínicos com a vacina Ervebo estão em andamento. Harneis enfatiza a necessidade de intensificar esforços para evitar que o surto se espalhe para países vizinhos. /AFPA epidemia de ebola já causou mais de 2.500 mortes na República Democrática do Congo (RDC) e “avança de forma exponencial”, alertou nesta sexta-feira, 21, Julien Harneis, principal coordenador para o ebola nas Nações Unidas.“A epidemia de ebola avança de forma exponencial” e “se expande amplamente: já cobre uma área superior à da França”, disse Harneis, direto de Bunia, em uma coletiva de imprensa transmitida em Genebra, na Suíça.Um agente de higiene desinfeta os pés de uma pessoa na entrada do Centro de Tratamento de Ebola (CTE) de Rwampara, em Bunia, Ituri, no leste da República Democrática do Congo, em 13 de julho de 2026. Foto: Benediction Murhabazi/AFPPUBLICIDADEAté o momento, a epidemia causou “mais de 2.500 mortes”, sendo metade delas “nos últimos vinte dias”, detalhou. “Seu avanço supera a rapidez da nossa resposta; ela se intensifica e se expande mais rapidamente do que os esforços empreendidos em toda a região”, enfatizou.Em apenas três meses, a epidemia — declarada em 15 de maio — já superou a ocorrida entre 2018 e 2020 no leste da RDC, considerada na época a mais letal da história do país, com 2.299 óbitos em 3.381 casos confirmados, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseados em informações das autoridades congolesas.Além disso, nesses três meses, foram contabilizados na RDC sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que nos três primeiros meses da maior epidemia de ebola da história — que causou mais de 11.300 mortes na África Ocidental entre 2014 e 2016 —, segundo a agência de saúde da União Africana.O ebola, transmitido pelo contato com fluidos corporais e causador de febre hemorrágica, matou mais de 15.000 pessoas na África nos últimos cinquenta anos.PublicidadeUm médico presta assistência a um paciente com a doença do vírus Ebola no Centro de Tratamento de Ebola (CTE) de Rwampara, em Bunia, Ituri, no leste da República Democrática do Congo, em 13 de julho de 2026. Foto: Benediction Murhabazi/AFPRisco para os países vizinhosNão existe vacina nem tratamento específico aprovado contra a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual, embora haja ensaios clínicos em andamento.Nesta semana, foi aprovado o envio à RDC de um lote de 70.000 doses da vacina Ervebo — homologada contra outra cepa do vírus, a Zaire — para avaliar sua eficácia em relação à variante Bundibugyo.A resposta sanitária vem sendo criticada por sua lentidão e falta de organização, além de enfrentar a desconfiança de parte da população.PublicidadeO coordenador da ONU lembrou que 43 profissionais de saúde morreram em decorrência do vírus e que outros foram atacados enquanto estavam em ambulâncias ou em instalações de saúde.“A ordem pública está comprometida, e os serviços básicos, especialmente os de saúde, encontram-se fragmentados. As condições de atuação são extremamente difíceis”, destacou o especialista, referindo-se a uma região infestada por numerosos grupos armados.Leia tambémTumulto em templo deixa ao menos 7 mortos e vários feridos na ÍndiaGenro de Trump se reúne com Netanyahu após discutir plano de paz para Gaza com Hamas Três pilotos passam mal durante voo de mais de 10 horas entre Índia e Reino Unido“Esta epidemia continua se propagando a um ritmo que a resposta não consegue acompanhar”, ressaltou, por sua vez, Javid Abdelmoneim, presidente internacional da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), em comunicado divulgado em Genebra.Publicidade“Essa resposta exige muito mais do que leitos adicionais. Requer um diagnóstico melhor, o isolamento seguro dos doentes e de seus contatos, bem como apoio aos profissionais de saúde”, acrescentou.Profissionais de saúde atendem um paciente com Ebola no Centro de Tratamento de Rwampara, em Ituri, no Congo, na quinta-feira, 18 de junho de 2026. Foto: Moses Sawasawa/APHarneis também apontou a necessidade de intensificar a resposta e insistiu que, “se reforçarmos as equipes e levarmos mais recursos às áreas remotas do leste da República Democrática do Congo, poderemos, em alguns meses, desacelerar a transmissão e conseguir acabar com ela”.“Se não o fizermos (...), esta epidemia será mais letal. Ela se propagará ainda mais e corre o risco de se estender aos países vizinhos”, alertou. /AFPVale ler tambémComo uma herança da 2ª Guerra Mundial está provocando uma crise entre Rússia e JapãoComo Trump oferece um presente para Pequim ao deixar a Coreia do Sul ‘na mão’As operações militares dos EUA na América do Sul vão aumentar? Colômbia é a próxima da listaPublicidade
Epidemia de ebola na RD Congo avança de ‘forma exponencial’, diz ONU
Até o momento, a epidemia causou mais de 2.500 mortes, sendo metade delas nos últimos vinte dias, segundo Julien Harneis, principal coordenador para a doença nas Nações Unidas
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