Em meio à transição para o novo modelo de financiamento habitacional, bancos pressionam o Banco Central a revisar o teto de 12% ao ano estabelecido para os juros de crédito imobiliário enquadrados no SFH (Sistema Financeiro de Habitação),

A articulação das instituições financeiras ganhou força diante da permanência da Selic, a taxa básica de juros, no patamar de 14% ao ano, um nível consideravelmente superior ao que o mercado projetava quando o novo sistema regulatório foi desenhado.

"Quando os vértices da taxa pré sobem, a captação fica mais cara. Como essas fontes de financiamento ganharam peso, essa pressão chega mais rapidamente ao custo final do financiamento", disse Michel Cury, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) e diretor de crédito imobiliário do Itaú. As discussões ocorreram durante um Summit organizado pela associação, reunindo diretores de grandes bancos como Caixa, Itaú, Bradesco e Santander, além de autoridades do BC.

O novo modelo, anunciado no final de 2025 e com implementação gradual até a sua vigência plena em janeiro de 2027, busca modernizar o financiamento habitacional no país. O principal objetivo é reduzir a dependência histórica da caderneta de poupança, que tem cada vez menos recursos. Com a Selic em níveis elevados, os investidores migraram recursos para aplicações financeiras mais rentáveis, como CDBs ou Tesouro Direto, esvaziando a poupança e gerando escassez e encarecimento do crédito habitacional.