0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Unidade da Hapvida, na Cidade Nova, ocupa antigo prédio corporativo — Foto: Divulgação A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) notificou a Hapvida para prestar esclarecimentos sobre o plano de reajustar em percentuais de dois dígitos ou rescindir cerca de 947 mil contratos nos próximos meses. Ao blog, o presidente da agência, Wadih Damous, disse que a medida "tem uma aparência muito forte de seleção de risco" e informou que assinou uma medida cautelar que impede a operadora de rescindir ou reajustar os contratos até que a situação seja analisada pelo órgão regulador. — Em vista a desmesurada quantidade de pessoas de vidas envolvidas, quase um milhão, essa medida tem uma aparência muito forte de seleção de risco, o que vai ser apurado na nossa investigação. Para isso eles estão sendo notificados. A empresa vai ter que explicar o que classifica como rentabilidade inadequada e qual é o histórico de inadimplência que justificaria esses reajustes ou o cancelamento unilateral desses contratos. Assinei uma medida cautelar de ofício para frear qualquer medida de rescisão ou reajuste até que os esclarecimentos sejam prestados — explicou Damous ao blog, informando que a empresa terá que esclarecer ainda quantos consumidores somam esses 947 mil contratos. O presidente da ANS antecipou ainda ao blog que representantes da Hapvida serão convocados para uma reunião, na qual deverão apresentar documentos que comprovem que as medidas propostas são legais e necessárias. ‘Nosso mercado é complementar ao de planos de saúde’, diz CEO da Dr. Consulta A possibilidade de reajustes de dois dígitos ou de cancelamento unilateral de cerca de 12% da carteira foi informada pelo CEO da operadora, Luccas Adib, na última quinta-feira, durante teleconferência sobre os resultados financeiros da companhia com analistas e investidores. A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, queda de 95,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os contratos alvos dessa revisão, de acordo com aempresa, têm tíquete médio cerca de 50% inferior à média geral de sua carteira de clientes. Após os anúncios feitos na última semana, relatório do BTG Pactual projeta “uma queda de 8% no número de beneficiários ao longo dos próximos 12 meses, à medida que os contratos forem renovados e uma parcela relevante dos clientes rejeitar os reajustes necessários”. Na avaliação da instituição, dos 947 mil beneficiários que estão em processo de revisão da carteira, cerca de 665 mil terão seus contratos encerrados nos próximos 12 meses.