As despesas crescentes em todos os níveis da administração pública colocarão um desafio para o novo presidente e os próximos governadores, que terão de consertar suas finanças como prioridade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Não é apenas o governo federal que ampliou seus gastos antes do período eleitoral, quando o presidente Lula busca seu quarto mandato. As despesas de Estados avançaram 4,3% acima da inflação no primeiro semestre do ano, mais que o crescimento de suas receitas correntes (3,1%). Nos municípios, a diferença a favor dos gastos foi ainda maior: 9,3% ante 8%. Os dados são da atualização feita pelo Ipea com os gastos do terceiro bimestre das administrações subnacionais. A conta de manutenção do crescimento da economia em um ritmo acima de seu potencial, com efeitos inflacionários, tem de ser atribuída a eles. Estados, Distrito Federal e municípios estão sendo reforçados pelas transferências correntes, que cresceram a uma velocidade maior do que as receitas próprias. No primeiro semestre, no caso dos Estados e do DF, elas subiram 6,5% reais, ante 3,1% da arrecadação local. No caso das prefeituras, os avanços foram de, respectivamente, 21,8% e 15,6%. Para isso, devem ter contribuído significativamente as emendas parlamentares. O governo federal, na aprovação do orçamento, aceitou a exigência dos congressistas de pagar 65% das emendas obrigatórias, de bancada e individuais, até junho, já que elas teriam severas restrições se fossem feitas no período eleitoral, para evitar o uso da máquina pública para angariar votos. Com isso, desembolsou R$ 21,5 bilhões no período. Não haverá eleições municipais, mas deputados e senadores com mandato em exercício, e que tentam a recondução, despejaram recursos nos municípios que compõem suas bases eleitorais. O crescimento das emendas, cerca de R$ 50 bilhões no ano, deu a eles uma vantagem grande em relação aos que disputarão o cargo sem mandato ou pela primeira vez. Um dos efeitos principais do avanço da fatia que cabe aos congressistas no orçamento tende a ser uma menor renovação dos quadros do Congresso e nas assembleias legislativas estaduais, muitas delas também com direito a emendas obrigatórias. Não é pouco dinheiro. As receitas correntes administradas pelos governadores atingiram pouco mais de R$ 1,9 trilhão nos 12 meses encerrados em junho. As transferências correntes para o período foram de R$ 450 bilhões, quase 24% do total de receitas. Elas apresentaram uma variação real de 12% no bimestre maio-junho em relação ao mesmo bimestre de 2025 e 6,5% de avanço no ano. Já os municípios, com receitas no período de R$ 1,55 trilhão, receberam transferências de R$ 540 bilhões, quase metade do que os municípios arrecadam com seus tributos. As transferências a eles aumentaram 21,8% no bimestre e 8,9% no ano. Os gastos que crescem com mais rapidez no bimestre e no semestre são as outras despesas correntes, que somam os dispêndios de custeio das máquinas públicas, com a prestação de serviços e com a terceirização de empreendimentos com esse fim. Nos Estados elas subiram 8% no bimestre na comparação anual e 6,5% no ano. Parte das receitas está também indo para gastos permanentes, como despesas de pessoal, que aumentaram 5,3% no ano. Já os gastos correntes dos municípios deram um salto de 9,3% no primeiro semestre, uma velocidade um pouco inferior aos 12,2% das outras despesas correntes. As despesas com pessoal mostraram evolução mais forte que nos Estados, de 6,6% no período. A aceleração do ritmo de gastos em maio e junho nos Estados denota a intenção de polir a máquina eleitoral com obras que podem render votos, como ocorre em todas as disputas eleitorais. Mas a ampliação das verbas para os entes federados, turbinadas por um volume crescente de emendas, amplia os incentivos ao consumo, aos quais se devem acrescentar os esforços claros da administração federal na mesma direção. Esse é um dos motivos pelos quais a inflação resiste a cair, apesar de juros tão altos. O governo federal, por sua vez, deve ter fechado o mês passado com um superávit de R$ 11 bilhões, decorrentes de aumento de receitas de 7,6% acima da inflação e queda de despesas de 20,8%, segundo projeção do Ipea. A queda se deu pela antecipação dos precatórios, pagos em março este ano e na metade do ano em 2025. O déficit primário em 12 meses, porém, subiu de R$ 35,7 bilhões em julho de 2025 para R$ 71,5 bilhões no mês passado. No acumulado do ano, o rombo é de R$ 80,3 bilhões. Houve ampliação das despesas no período em todas as rubricas importantes, como benefícios previdenciários (4%) e pessoal (6,7%). E, o que é relevante do ponto de vista das eleições, de 44,6% nas despesas discricionárias, que incluem investimentos, com gastos de R$ 41,4 bilhões. Além do déficit da União, os gastos em ascensão dos entes federados farão com que eles apresentem um magro resultado positivo previsto de R$ 1,1 bilhão previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias, se tanto. As despesas crescentes em todos os níveis da administração pública colocarão um desafio extra para o novo presidente e os próximos governadores, que terão de consertar suas finanças como prioridade. O caso mais grave é o da União. A dívida bruta ao fim da gestão de Lula crescerá 10 pontos percentuais do PIB, para 83% do PIB. No atual ritmo de gastos, não há como reduzir muito, nem rapidamente, os juros.
Estados também gastam mais antes das eleições
As despesas crescentes em todos os níveis da administração pública colocarão um desafio para o novo presidente e os próximos governadores, que terão de consertar suas finanças como prioridade







