O presidente Lula tem muita dificuldade de governar sem que o gasto público primário real cresça 6% todo ano.

Entendo o sentido de urgência e o desejo do presidente de acionar o Estado brasileiro para atender às demandas sociais, principalmente dos mais pobres. Para tal, é necessário que o salário mínimo cresça em termos reais e que os pisos constitucionais em saúde e educação cresçam também.

O resultado é que o gasto público acaba por crescer mais rapidamente do que a economia, o que se trata de uma situação sem sustentabilidade. Quando a política econômica é insustentável, mais cedo ou mais tarde ocorre uma correção.

O gráfico acima apresenta a evolução do gasto público real acumulado em 12 meses para os diversos governos, desde Lula 1. A frequência de tempo é mensal, e a data zero marca o início de cada governo. Os gastos de todos os governos foram normalizados. Para a primeira observação de cada governo, data zero, leem-se 100, e se representa o gasto acumulado nos 12 meses do mandato anterior. É o ponto de partida de cada governo.

O quadro foi preparado por Fábio Serrano, analista de política fiscal do BTG —em ano eleitoral, analista de política fiscal na Faria Lima trabalha dobrado—, a partir de um gráfico que estava no relatório do respeitado economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Montero. A ambos fica meu agradecimento.