Ao GLOBO, Uallace Moreira defende medidas parafiscais apontando que elas ampliam capacidade de o país crescer e não estão pressionando a inflação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do governo — Foto: MDIC As medidas de crédito que o governo tem adotado desde a segunda metade do ano passado não miram o consumo e ajudam a elevar a capacidade de crescimento da economia brasileira, por isso, não são inflacionárias. A visão é do secretário de Desenvolvimento Industria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira. Ao GLOBO, Moreira reforça que, ao financiar compra de máquinas, equipamentos, renovação de frotas de veículos para quem usa para trabalhar e inovação, o governo busca elevar a produtividade da economia, algo sistematicamente cobrado do Executivo por diversas correntes de economistas. — Todas essas linhas são para estimular o investimento, para ampliar a capacidade de produção da indústria, renovação de máquina, investimento em máquina, renovação de frota. Isso amplia a produtividade e a competitividade, o que faz com que o PIB potencial aumente — disse. — Isso não é política de consumo. Não é contraditório com o que o Banco Central está fazendo— afirmou. Ele reconhece que as medidas com subsídios geram custos para a dívida pública, mas ressalta que isso precisa ser ponderado pelos impactos econômicos positivos, sobretudo no aumento da capacidade de o país crescer. Moreira, porém, não apresenta uma conta sobre custos e retornos das medidas, embora mencione os estudos do ministério do Planejamento sobre os efeitos das políticas adotadas no primeiro semestre e destaque que o país deve crescer neste ano cerca de 2,3% mesmo com a maior taxa de juros real do mundo. Além disso, ele compara a estimativa de subsídio de R$ 7,1 bilhões embutido no programa de aquisição de veículos, se todos os R$ 30 bilhões fossem utilizados, com um impacto positivo na arrecadação de magnitude similar. Mas reconhece que essa análise não foi feita de forma generalizada para todas as iniciativas do governo na área de crédito. Especificamente nesse programa, Moreira admite que houve problemas na fase inicial de implementação, mas ressalta que a linha está ganhando tração. Para ele, é preciso olhar para essa medida pensando que o automóvel não é um bem de consumo para essas categorias e sim um instrumento de trabalho que gera mais renda e, sendo novo, maior capacidade de elevar a produtividade do trabalhador. O secretário também destaca que o setor automotivo local não está no seu limite da capacidade produtiva, operando com ociosidade e estoques, além da pressão competitiva dos carros chineses. Outro ponto que ele salienta é que também não se pode dizer diretamente que o eventual aumento de renda do trabalhador de aplicativo e taxistas vai se tornar rapidamente mais consumo, porque há uma série de fatores operando, inclusive a necessidade de pagar a nova dívida. A mesma lógica é aplicada por ele às demais linhas de crédito. A renovação de máquinas e equipamentos, por exemplo, aumentaria a eficiência e a produtividade das empresas, permitindo que a oferta de bens e serviços cresça com a demanda. — Quando você compra uma máquina, um equipamento, o efeito é imediato. Você troca esse maquinário e tem um efeito de produtividade e eficiência energética na hora — afirmou. Para além das ações mais focalizadas, Moreira destaca a estratégia mais ampla de política industrial do governo, definida na Nova Indústria Brasil (NIB). Ele salienta que os incentivos não são ilimitados e respeitaram as restrições fiscais, mas têm surtido efeito em melhorar a posição da indústria brasileira mesmo em um contexto internacional adverso, que, para ele, foi o principal elemento para a alta dos juros no Brasil.
Secretário de Política Industrial diz que programas de crédito do governo elevam investimentos e nega contradição com juros
Ao GLOBO, Uallace Moreira defende medidas parafiscais apontando que elas ampliam capacidade de o país crescer e não estão pressionando a inflação








