Ex-governador de Minas Gerais já criticou radicalismo e se aproximou da direita 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Romeu Zema, candidato à presidência pelo Partido Novo — Foto: REUTERS/Luis Nova Filiado ao Partido Novo (Novo), o candidato a presidente da República Romeu Zema se define como de direita. "Me considero de direita porque sou conservador, acredito na liberdade econômica, no empreendedorismo, que é o trabalho honesto que leva à prosperidade", afirmou o candidato ao Valor. "Defendo um Estado enxuto, que combata privilégios e enfrente os intocáveis, garantindo regras claras e iguais para todos, uma Justiça célere e serviços de qualidade em educação, saúde e segurança. Com liberdade para trabalhar e empreender, as demais demandas da sociedade serão atendidas pelos próprios cidadãos e empreendedores", acrescentou Zema ao Valor. Esse discurso foi adotado em outros momentos pelo candidato. Zema já se definiu como candidato de direita ao falar, em uma entrevista em fevereiro para O Globo, que era um dos candidatos da direita nas eleições presidenciais de 2026, junto com Flávio Bolsonaro (PL) e “aquele que for definido pelo PSD”. O nome lançado pelo Partido Social Democrata (PSD) foi Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. Dentro do espectro da direita, o ex-governador de Minas Gerais integra uma “direita mais moderada”, explica Marco Antônio Teixeira, cientista político da FGV EAESP. Para ele, a principal relação com a direita de Zema está na pauta da economia. “A questão de Zema é dentro da economia mesmo, ao defender o Estado mínimo e privatizações. Ele vem do mercado de varejo. Então, é mais essa visão, digamos assim, de que há situações que cabem ao mercado tocar sozinho e não ao Estado. É uma visão um pouco minimalista do papel das políticas sociais”, afirma o especialista. Além disso, Teixeira explica que, em sua campanha, Zema traz um discurso contra a esquerda, o presidente Lula e o PT, o que também ajuda a classificá-lo como um candidato da direita. Nas primeiras publicações de sua campanha eleitoral nas redes sociais, Zema adota um discurso contra Lula e os ministros do STF, que ele chama de “intocáveis”. Primeira publicação da campanha oficial de Romeu Zema — Foto: Reprodução/Instagram: @romeuzemaoficial Em outros momentos anteriores à propaganda eleitoral, Zema já utilizava um discurso contra a esquerda na política brasileira. Vídeo do Romeu Zema, publicado no dia 6 de agosto — Foto: Reprodução/Instagram: @romeuzemaoficial Na entrevista para O Globo supracitada, o candidato se classificou de direita ao se comparar com Lula e Bolsonaro e dizer que está “bem mais próximo do Bolsonaro do que do Lula”. Apesar de criticar o radicalismo político, ele ainda afirmou que “pelas propostas que temos, sou considerado mais à direita”. O apoio de Zema também segue esse espectro político. O candidato do Novo afirmou na entrevista que, em um eventual segundo turno, apoiará o candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, que também integra a direita da política brasileira. “Nas atitudes, Zema é de direita. Seu discurso, porém, é confuso, principalmente quando se fala de políticas sociais. Isso, para mim, se dá por dois motivos: ele ter exercido poucos cargos políticos [somente no governo do estado de Minas Gerais] e a necessidade de amadurecer seu jogo político”, conclui o especialista. Partido Novo (NOVO) O partido do ex-governador de Minas Gerais também compartilha da mesma ideologia. Para um levantamento do Valor com as 30 siglas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Novo se definiu como de direita. Zema é candidato pelo Novo, que, além de defender a questão da ficha-limpa, afirma em seu site que seus princípios são: “liberdade individual e respeito ao próximo, livre mercado e direito à propriedade, império da lei e democracia, estado enxuto, eficiente e a serviço das pessoas, combate à corrupção e aos privilégios e oportunidades ao alcance de todos.” *Estagiária sob supervisão de Diogo Max