A ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidatos à presidência no debate presidencial da TV Globo — Foto: Brenno Carvalho Ser candidato numa eleição significa cumprir algumas obrigações básicas, principalmente quando a candidatura é para inquilino da Presidência da República. Entre os deveres não previstos em lei, está participar de debates. Trata-se não só de demonstração de respeito, mas de evidente obrigação moral com o eleitor. Por isso a ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota para chegar ao poder. Na eleição deste ano, a campanha de Lula anunciou que ele não deverá participar do primeiro debate na TV, promovido pela Band. Flávio Bolsonaro aproveitou para pegar carona e também não deverá ir. Alguns candidatos a governador, líderes em seus estados, seguiram a mesma receita. Uma vergonha do ponto de vista histórico — o debate televisionado entre os governadores, em 1982, ainda durante o regime militar, foi pioneiro, uma vez que os confrontos estavam até então suspensos pela Lei Falcão. A lógica do Q.G. petista é a mesma que norteia o PL. No confronto com os demais candidatos, Lula é a principal vidraça. Está no poder, é o líder nas pesquisas, e os principais adversários são da direita. Na ausência de Lula, a vidraça é Flávio. Ele se torna alvo dos demais candidatos, que tentarão usá-lo como escada para ser mais conhecidos e abocanhar, assim, parte de seu eleitorado de direita. O raciocínio não está errado. É fato que Lula ocupa a pole position dos alvos, e Flávio é o P2 (segunda posição no grid). O compromisso deles, no entanto, não deveria ser com a autopreservação, mas sim com o debate de ideias típico de democracias consolidadas, por mais duro e, muitas vezes, abaixo da linha da cintura que esses confrontos sejam — daí as regras e punições acordadas pelas equipes antes. Os candidatos veem participar nos debates como principal risco — e não faltar a eles. Desde a redemocratização, todos os principais candidatos a presidente já deram cano nos confrontos televisivos, prática que não vem de agora. Na eleição de 1960, a TV Tupi tentou inovar com um debate entre os presidenciáveis, mas Jânio Quadros acabou arranjando um compromisso no Nordeste para faltar. Nos Estados Unidos, que difundiram o confronto nacional na televisão, com Nixon versus Kennedy em 1960, faltar a um debate ainda é exceção. Os debates por lá só não ocorreram em 1964, 1968 e 1972. Tudo bem que, no geral, são apenas dois candidatos, republicanos e democratas (raramente entra um independente). Mas, mesmo correndo risco de ser engolidos pelos adversários, todos se submeteram ao confronto, em maior ou menor grau. Que o digam Nixon no embate contra Kennedy (e olha que o republicano foi a quatro debates), Carter versus Reagan (que jantou o democrata com a célebre pergunta sobre a vida estar melhor ou pior que quatro anos antes) e até Biden (cuja candidatura foi ceifada em 2024 depois de uma atuação constrangedora no debate contra Trump). A participação em debates deveria ser parte inegociável da agenda dos candidatos numa eleição. Quer disputar, então tem de debater. O Brasil foi normalizando o W.O. nos confrontos, e os líderes nas pesquisas ficaram à vontade para dar o cano no eleitor — muitas vezes, sem nem se dar ao trabalho de fazer um R.S.V.P.
W.O. em debate deveria custar voto
A ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota












