Diante do cenário externo, candidatos à Presidência devem explicar como lidarão com custo da dívida pública 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Maços de notas de dólares recém-impressas — Foto: Eva HAMBACH/AFP O Tesouro americano anunciou nesta semana a intenção de dobrar o ritmo de recompra de títulos de longo prazo da dívida dos Estados Unidos, conhecidos como treasuries. O total poderá chegar a pelo menos US$ 4 bilhões por operação, informou o governo. O plano é recomprar até US$ 83 bilhões nos próximos três meses. Tal informação não deveria passar despercebida aos candidatos à Presidência no Brasil, pois significa condições mais difíceis para os papéis brasileiros. O anúncio é uma tentativa de acalmar o mercado, que vem exigindo retorno maior para financiar a dívida do governo americano. Termômetros das expectativas, títulos com vencimento em 30 anos foram vendidos na semana passada pela maior taxa desde 2001. Com a guerra contra o Irã, a disparada do petróleo aumentou os temores de inflação. Investidores também passaram a exigir retorno maior para financiar gastos do governo, inflados por medidas de proteção a empresas locais. Com a dívida pública perto de US$ 40 trilhões, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia resolveram ouvir investidores, eleitores e economistas. Para os três grupos, a probabilidade de uma crise da dívida nos próximos dez anos está próxima de 50%. Além da gastança promovida por Donald Trump e do aumento na percepção de risco, os treasuries têm enfrentado competição de papéis emitidos pelas empresas que disputam a corrida da inteligência artificial. Com necessidade de financiar investimentos maciços, essas companhias transformaram o mercado de dívida. Como as taxas pagas pelo Tesouro americano servem de base para calcular o retorno de papéis soberanos de outros países, o rebuliço provocado por Trump tem efeito global. Na terça-feira, o título alemão de 30 anos atingiu a taxa mais alta desde a crise da Zona do Euro em 2011, o francês a maior desde 2008 e o japonês quase bateu o recorde histórico. O Brasil não passará ileso. Com os treasuries em alta, ficará mais difícil e mais caro captar recursos no exterior. É verdade que a maior parte da dívida brasileira está emitida em moeda local. Mas a deterioração internacional aumentará os obstáculos, com risco de desvalorização do real. Motivos para desconfiar da capacidade do governo brasileiro de gerir a própria dívida não faltam. Primeiro, ela é altíssima. No ranking das economias emergentes, está em segundo lugar. Segundo, porque não para de crescer, assim como os encargos para refinanciá-la. A taxa de juros implícita em 12 meses, calculada pelo Banco Central para capturar o custo total da dívida bruta, chegou a 13,2%, maior patamar desde novembro de 2016, como mostrou reportagem do GLOBO. Os candidatos à Presidência ainda não informaram como pretendem lidar com o problema. A questão é inadiável e pode se tornar mais ou menos difícil, dependendo do cenário externo. Parece cada dia mais claro que adotar a estratégia do avestruz não é opção. Os eleitores precisam saber como cada um dos que pretendem governar o Brasil planeja tirar o país dessa enrascada.
Alta de papéis do Tesouro americano traz risco ainda maior para o Brasil
Diante do cenário externo, candidatos à Presidência devem explicar como lidarão com custo da dívida pública













