O sambista Antônio Candeia Filho, o Candeia, completaria 90 anos em 2025, quando Stephen Bocskay finalizava seu livro sobre ele. A obra reúne documentos, registros e análises da história do músico carioca, que se confunde com a trajetória do samba no Brasil e do ativismo político por meio da arte.

Após 15 anos de pesquisa em arquivo, encontros com músicos e gente do convívio de Candeia, o pesquisador americano publica agora uma miscelânea que se esforça para retratar parte da história do samba brasileiro, mesmo a partir de um olhar estrangeiro.

"Ele queria entender o Brasil de dentro para fora e não de fora para dentro", diz Bocskay. Em "Candeia, o Samba, o Quilombo e o Ativismo Negro", o autor faz esse mesmo exercício.

Candeia foi fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, parte central de sua história e da obra de Bocskay. Além da música, o grupo exercia um papel político, funcionando como um centro de pesquisas da arte negra, com palestras sobre a situação socioeconômica do negro, rodas de partido-alto e exibições de filmes. Candeia fundou a agremiação ao lado de Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Elton Medeiros.

Entre as principais posturas políticas de Candeia está a recusa em aceitar financiamento da Riotur para sua organização. A entrada no espaço era franca, um gesto contra a comercialização do Carnaval que se instalava a partir da década de 1970.