Rússia adverte EUA contra vendas de armas ‘inaceitáveis’ para a UcrâniaO ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, advertiu Washington contra os carregamentos de armas ‘inaceitáveis’ para a Ucrânia. Crédito: various sources / AFPGerando resumoOs pilotos russos de drones haviam se acomodado para passar a noite. Seu veículo branco estava estacionado na entrada de uma pequena casa no sul da Ucrânia ocupada.PUBLICIDADEA cerca de 48 quilômetros de distância, dois pilotos ucranianos de drones estacionaram seu caminhão em uma fileira de árvores na beira de um campo e montaram um drone de tamanho médio carregado com duas bombas.O alvo deles? Os pilotos de drones russos adormecidos.PublicidadeNaquela noite, a equipe ucraniana contava com uma nova e poderosa ferramenta no campo de batalha: imagens de satélite de alta tecnologia que forneciam informações quase em tempo real sobre os movimentos e a localização das tropas.Um soldado ucraniano prepara um drone para um ataque a um alvo russo na região de Zaporizhzhia, na Ucrânia, em 8 de julho de 2026 Foto: Tyler Hicks/NYTHá um ano, as imagens de satélite podiam levar dias para chegar às tropas na linha de frente, devido à tecnologia menos sofisticada e às diversas camadas da estrutura de comando. Isso dificultava atingir alvos que podiam se deslocar, como tropas dentro de uma casa, com ataques de drones de longo alcance. Agora, uma equipe de apoio que monitorava a casa forneceu aos operadores de drones uma nova imagem de satélite mostrando o carro na entrada da garagem, um indício da presença russa no local.“O alvo está confirmado”, sussurrou um dos pilotos, que se identificou com o indicativo de chamada Tikhi, de acordo com o protocolo militar ucraniano.PublicidadeA rápida entrega de imagens de satélite de alta qualidade às tropas na linha de frente é um dos principais avanços no campo de batalha do último ano, permitindo que a Ucrânia ataque rapidamente depósitos de armas, centros logísticos e acampamentos de tropas em território controlado pela Rússia, e na própria Rússia.O caminhão usado por Tikhi e seu parceiro, conhecido pelo codinome Teplo, era na verdade um centro de comando móvel, equipado com computadores que se conectavam a satélites comerciais.Em uma nova ferramenta desenvolvida pela empresa holandesa Bravo1Alpha, as imagens são transmitidas para um dispositivo que se assemelha a um console de videogame portátil, a partir do qual os pilotos podem procurar alvos, traçar rotas de voo e até mesmo disparar armas de drones.PublicidadeEm alguns casos, as tropas na linha de frente podem controlar os satélites por conta própria, analisando rapidamente as imagens em busca de alvos e, em seguida, disparando suas armas. Imagens de satélite em alta velocidade também as ajudam a verificar quais alvos foram atingidos e a disparar novamente, se necessário.As tropas ainda precisam da aprovação de comandantes mais graduados para atingir alvos, reduzindo o risco de erros por parte de pilotos menos experientes. Mas o processo agora está muito mais simplificado.Afinal, por que Orbán ajuda tanto a Rússia de Vladimir Putin?Presidente húngaro chega a eleição presidencial pressionado em meio ao alinhamento à Rússia. Crédito: Rodrigo da Silva/EstadãoEsses avanços têm sustentado os esforços da Ucrânia para isolar a península da Crimeia, ocupada pela Rússia. Ataques recentes com auxílio de satélite destruíram terminais de balsas que a Rússia precisa para abastecer a península, bem como as rotas logísticas necessárias para manter as tropas que lutam no sul da Ucrânia armadas e alimentadas.PublicidadePUBLICIDADEEm junho, soldados do 422º Regimento Independente de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia usaram imagens de satélite para localizar e destruir diversas instalações na região ocupada de Zaporizhzhia, que a Rússia utiliza para interferir nos sinais Starlink, usados por muitos drones ucranianos para navegação. O regimento também participou recentemente de uma operação para destruir vários sistemas de defesa aérea russos de alto custo na Crimeia, entre outros alvos.“Este apoio é incrivelmente útil”, disse o major Mikola Kolesnik, comandante do regimento.Com a guerra na Ucrânia em grande parte atolada num sangrento impasse, o progresso no campo de batalha depende cada vez mais de uma corrida por novas tecnologias que possam dar vantagem a um dos lados. Os drones, sejam aéreos, terrestres ou marítimos, surgiram como a forma mais eficaz de matar ou mutilar inimigos.PublicidadeUm operador de drone ucraniano analisa imagens de satélite para localizar tropas russas situadas a cerca de 30 quilômetros de distância, na região de Zaporizhzhia Foto: Tyler Hicks/NYTMas a tecnologia é menos eficiente quando se trata de encontrá-los. Drones de vigilância, conhecidos como ISRs (Integrated Surveillance Tracking), podem ser abatidos ou ter seus sinais bloqueados. Seu alcance é limitado, assim como a área física que podem cobrir.O espaço oferece a próxima fronteira.Os ucranianos usaram imagens de satélite, fornecidas por governos aliados e empresas comerciais, para auxiliar na luta contra a Rússia mesmo antes da invasão de 2022. Mas, até recentemente, esse recurso era escasso. Apenas comandantes de alta patente tinham acesso para utilizá-lo no planejamento estratégico de alto nível.Mesmo esse acesso era limitado e vulnerável a interrupções. Em março de 2025, por exemplo, o presidente Donald Trump ordenou ao Pentágono que parasse de compartilhar imagens de satélite com a Ucrânia, embora isso tenha sido posteriormente restabelecido.Nos últimos anos, o acesso a imagens de satélite expandiu-se consideravelmente, graças ao governo dos EUA e a empresas privadas. A Vantor, empresa comercial que trabalha com a Ucrânia há anos, lançou recentemente seis novos satélites, elevando o total para 10. Seus satélites agora podem cobrir até sete milhões de quilômetros quadrados do planeta diariamente, o suficiente para escanear o campo de batalha ucraniano diversas vezes, afirmou Will Cocos, diretor de transformação da empresa.As equipes de drones ucranianas contam com uma nova ferramenta poderosa: imagens de satélite de alta tecnologia que fornecem informações em tempo quase real sobre a localização e os movimentos das tropas Foto: Tyler Hicks/NYTOs satélites podem fornecer imagens da mesma área até 15 vezes por dia, ajudando os soldados a procurar mudanças sutis no terreno que possam indicar possíveis alvos russos.PublicidadeÉ possível obter imagens em apenas 15 minutos, embora, na maioria das vezes, o processo possa levar algumas horas. Mesmo assim, trata-se de uma enorme melhoria em relação ao passado recente, quando, por vezes, demorava dias.“Basicamente, entregamos o satélite a eles”, disse Cocos. “Eles dizem ao satélite o que filmar.”O advento da guerra com drones mudou a aparência do campo de batalha desde o início desta guerra. Desapareceram as grandes concentrações de blindados, centros logísticos e agrupamentos de soldados que podiam ser facilmente vistos e alvejados.Publicidade“Em nosso regimento, não vemos um tanque há seis meses”, disse o major Kolesnik. “Os que eles têm estão guardados em abrigos.”O major Kolesnik insistiu em se encontrar em uma área arborizada nos arredores de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, em vez de em um posto de comando ou na própria cidade, temendo os drones que sobrevoavam a região.Empresas de satélites comerciais mantêm enormes arquivos de imagens ao longo do tempo, permitindo que comandantes em campo estudem mudanças sutis no ambiente — pegadas em um campo, árvores caídas, terrenos recém-desmatados — que podem indicar a presença de um alvo oculto.PublicidadeComo memes com inteligência artificial abriram um novo front na guerra entre EUA e IrãEspecialistas ouvidos pelo Estadão explicam que o uso potencializado da IA gera uma instabilidade informacional sem precedentes no cenário geopolítico moderno. Crédito: Imagens de apoio: AFP/Edição: Laís Nagayama“No geral, parece uma revolução na tecnologia militar”, disse Robert Tollast, especialista militar do Royal United Services Institute, um centro de estudos em Londres.Na linha das árvores, os dois operadores de drones ucranianos que monitoravam a casa com os russos aguardavam a confirmação do alvo. O soldado conhecido como Teplo mostrou em seu celular um vídeo de um ataque recente realizado com auxílio de satélite. O vídeo mostrava um bosque na região de Kherson sem alvos militares identificáveis. Mas, após analisarem as imagens de satélite por várias semanas, os soldados descobriram rastros que levavam para dentro da mata, rastros esses que não eram visíveis nas imagens anteriores. Em outro vídeo, o mesmo bosque havia se transformado em um cenário infernal de veículos em chamas.“É uma operação ideal”, disse Teplo. “Na verdade, é assustadora. Nada pode te ajudar.”PublicidadeNa extremidade do campo, reinava uma tranquilidade sinistra, com o som dos grilos sendo interrompido apenas ocasionalmente por estrondos explosivos à distância. Mas os pilotos estavam tensos e em alerta para drones inimigos. Sons estranhos os faziam estremecer. O piloto conhecido como Tikhi tinha a mão enfaixada após um recente encontro com um drone FPV russo.A primeira tentativa de atingir a casa com os pilotos russos foi interrompida por um bombardeio russo. Drones Shahed e poderosas bombas planadoras rasgaram o céu. O equipamento de guerra eletrônica que a Ucrânia usava para interferir nos sinais de GPS das armas russas também impediu a equipe ucraniana de lançar suas armas.Várias noites depois, o clima estava mais tranquilo e a equipe finalmente pôde atacar.PublicidadeUma imagem de satélite gerada após o ataque mostrou os danos: dois grandes buracos no telhado da casa.Vale ler tambémComo Trump oferece um presente para Pequim ao deixar a Coreia do Sul ‘na mão’As operações militares dos EUA na América do Sul vão aumentar? Colômbia é a próxima da listaEUA projetam poder militar nas Américas às vésperas da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
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As equipes de drones ucranianas contam com uma nova e poderosa ferramenta: informações quase em tempo real sobre os movimentos e a localização das tropas







