Apesar de oferecer um dos maiores salários mínimos do mundo e um sistema de saúde público universal, custo de vida elevado nos grandes centros é ponto de atenção. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Austrália — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. Com um dos maiores salários mínimos do mundo, sistema de saúde público universal e clima ameno, sem invernos rigorosos, a Austrália reúne atrativos que a colocam no radar de brasileiros dispostos a encarar a distância — são cerca de 24 horas de voo — e o alto custo de vida nas grandes cidades. O país, considerado um dos lugares mais seguros do mundo, ocupa a 20ª posição no Global Peace Index 2026 e vem subindo posições nos últimos anos. A qualidade de vida na Austrália também está entre as mais altas do planeta, com IDH de 0,951, e o inglês, idioma oficial e do mercado de trabalho, facilita a adaptação. O clima, predominantemente quente e seco, varia de ameno no sul a quente no interior e no norte. Custo de vida elevado A Austrália oferece um dos maiores salários mínimos do mundo, cerca de US$ 3.140 por mês, com média em torno de US$ 4.900, de acordo com dados ajustados da Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Por outro lado, o custo de vida no país é considerado elevado. Somente a moradia — o fator que mais pesa no bolso — representa cerca de 25% a 30% do orçamento total. Sydney é a cidade mais cara, seguida de Melbourne e Brisbane, e o aluguel de um apartamento de um quarto pode chegar a R$ 11 mil mensais nesses centros. Melbourne, Austrália — Foto: Pexels Para a carioca Sophia Ribeiro, de 28 anos, que atualmente reside na Gold Coast, costa leste do país, e trabalha no ramo da hotelaria, mesmo com os altos custos, a relação entre a vida pessoal e profissional ainda é justa. — O custo de vida está bem alto, principalmente por causa dos aluguéis, mas ainda assim eu sinto que existe uma relação equilibrada entre o que você ganha e o que consegue ter. Trabalhos que no Brasil muitas vezes são vistos como “subempregos” permitem que as pessoas tenham uma vida confortável aqui. E existe também uma preocupação muito maior com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal — afirmou em entrevista ao GLOBO. Para residentes e cidadãos, o sistema público de saúde, o Medicare, é gratuito e financiado por impostos; já estudantes internacionais são obrigados a contratar um seguro à parte, o OSHC, que custa cerca de R$ 200 por mês. O transporte público na Austrália funciona de forma eficiente e integrada, utilizando cartões recarregáveis (como o Opal em Sydney ou SmartRider em Perth). O passe mensal custa entre AUD 120 (R$ 440) e AUD 220 (R$ 800), variando conforme a cidade e as zonas percorridas. A média de gastos com compras de supermercado de uma pessoa solteira gira entre AUD 400 e AUD 600 (entre R$ 1.400 e R$ 2.100). No setor educacional, o país é um polo de elite, porém as universidades públicas e privadas cobram mensalidades de estrangeiros que variam de AUD 20.000 a AUD 30.000 (entre R$ 72 mil e R$ 108 mil) por ano, enquanto privadas ficam entre AUD 30.000 e AUD 45.000. Medicina e Odontologia são os cursos mais caros, chegando a AUD 92.000 anuais (mais de R$ 330 mil). Incentivo à interiorização A Austrália adota um sistema de imigração por pontos, voltado a trabalhadores qualificados, que avalia idade, proficiência em inglês, experiência e formação. Entre as principais vias estão o Skilled Independent Visa (subclasse 189), que concede residência permanente direta sem necessidade de patrocinador ou indicação, e o Skilled Nominated Visa (subclasse 190), semelhante, mas que exige a nomeação de um estado e dá pontos extras. Para quem já tem oferta de emprego, o Skills in Demand Visa (subclasse 482) permite trabalhar para um empregador patrocinador e exige salário de AUD 76.515 anuais. Quais são os países mais seguros para morar? Spoiler: EUA não estão entre os primeiros Um diferencial australiano é o incentivo à interiorização. Quem aceita viver fora das grandes metrópoles pode entrar pelo Skilled Work Regional Visa (subclasse 491), que dá 15 pontos extras no sistema, enfrenta menos concorrência e, após três anos, abre caminho para a residência permanente. Já os estudantes usam o visto subclasse 500, que permite trabalhar até 48 horas por quinzena durante as aulas e, ao fim do curso, migrar para o visto de pós-estudo (subclasse 485). No Guia Viver pelo Mundo, você pode comparar salários, custo de vida e outras características de 36 países procurados por brasileiros. A ferramenta também reúne informações sobre vistos, segurança, qualidade de vida e caminhos para quem pretende transformar a mudança de país em um projeto de longo prazo. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaborou Letícia Rafaela e a estagiária Letícia Guimarães
Morar na Austrália: veja salários, custo de vida e oportunidades em um dos países mais buscados por brasileiros
Apesar de oferecer um dos maiores salários mínimos do mundo e um sistema de saúde público universal, custo de vida elevado nos grandes centros é ponto de atenção. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países












