Sem seguro e sem se enquadrar nos programas de saúde, uma consulta pode custar cerca de US$ 200, e uma diária de hospital chega a US$ 3 mil; além dos EUA, guia do GLOBO traz informações sobre 36 países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com mais de 2 milhões de brasileiros residentes, a maior comunidade brasileira fora do Brasil, os Estados Unidos continuam sendo o destino de imigração mais procurado no mundo — Foto: Arte / O Globo Com mais de 2 milhões de brasileiros residentes, a maior comunidade brasileira fora do Brasil, os Estados Unidos continuam sendo o destino de imigração mais procurado no mundo. Apesar do endurecimento na política migratória do governo de Donald Trump, o país ainda disponibiliza uma série de vistos para profissionais qualificados, como o EB-1 para cientistas e pesquisadores, o O-1 para talentos extraordinários e o EB-5 para investidores. Em vez de incentivos financeiros, o governo foca na desburocratização e na flexibilização de regras para perfis estratégicos, que podem usar o National Interest Waiver (EB-2 NIW) para dispensar a longa e cara Certificação Laboral (PERM), processo que obriga um empregador americano a testar o mercado local antes de contratar um estrangeiro. Mas o governo também tem bolsas de estudo, com auxílios que variam entre US$ 2.000 e US$ 4.300 mensais. Esta matéria faz parte do guia da imigração, o Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países com mais apelo para brasileiros. O maior ponto de atenção para quem considera emigrar é a ausência de sistema público de saúde. Para maiores de 65 anos, o país tem o Medicare, mas estrangeiros só podem utilizar se forem residentes permanentes por no mínimo 5 anos, com cotas mínimas de créditos dependendo do trabalho. E sob uma rigorosa análise do governo americano, com o "sponsor deeming", residente também têm acesso ao Medicaid, destinado a pessoas de baixa renda ou com doenças crônicas, com abrangência que varia por estado. Sem seguro e sem se enquadrar em nenhum dos dois programas, uma consulta simples pode custar entre US$ 100 e US$ 300, e uma diária de hospital chega a US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil). Um plano básico individual custa entre US$ 300 e US$ 600 mensais – e os custos tendem a aumentar com a idade. Viver pelo mundo: Estados Unidos Aluguel de US$ 2.500 em Nova York Para uma pessoa solteira, os gastos mensais com alimentação giram entre US$ 450 e US$ 800 (entre R$ 2.200 e R$ 4 mil), englobando supermercado e refeições fora de casa. O custo de moradia varia. Em Nova York, San Francisco e Miami, o aluguel de um apartamento de um quarto bem localizado custa entre US$ 2.800 e US$ 4.000 (entre R$ 14 mil e R$ 20 mil). Em cidades médias, como Austin, Atlanta, Raleigh, o valor fica entre US$ 1.600 e US$ 2.400 (entre R$ 8 mil e R$ 12 mil). O transporte público é eficiente apenas em cidades como Nova York, Boston e Chicago. A tarifa média para uma única viagem de metrô gira em torno de US$ 3 (cerca de R$ 15). Geralmente, ao pagar uma passagem, você tem direito a uma transferência gratuita para outro ônibus ou metrô dentro de um período de duas horas. Uma passagem unitária custa entre US$ 1,25 e US$ 3,00 (cerca de R$ 6,29 a R$ 15). Central Park, em Nova York — Foto: Hiroko Masuike / The New York Times Na maioria das cidades americanas, no entanto, ter carro é praticamente indispensável. Renda, empregos e qualidade habitacional O salário médio anual nos EUA é de US$ 80.610, o equivalente a US$ 6.700 mensais, segundo dados do Instituto de Estatísticas do Trabalho de 2025. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a Paridade de Poder de Compra (PPC) para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, o PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Já o salário mínimo federal é de US$ 7,25 por hora. Considerando uma jornada padrão de 40 horas semanais, o valor mensal fica em US 1.300 (cerca de R$ 6.500). Com um IDH de 0,927, considerado muito alto, os EUA figuram no Índice Better Life da OCDE com destaque para renda, empregos e qualidade habitacional. No Global Peace Index 2025, porém, o país ocupa a 134ª posição, refletindo a realidade de uma sociedade com altos índices de violência por armas de fogo, especialmente quando comparada a outros países desenvolvidos. Visto facilitado para trabalhar um ano O sistema americano de imigração divide os vistos em duas grandes categorias: imigrante, para quem deseja residência permanente (Green Card), e não imigrante, para estadias temporárias. A imigração por emprego se divide em cinco categorias (EB-1 a EB-5), sendo o EB-2 NIW (National Interest Waiver) o mais procurado por brasileiros qualificados, por permitir solicitar o Green Card sem oferta de emprego prévia, desde que o candidato comprove que seu trabalho é de interesse nacional americano. Além disso, os programas Fulbright (centrado em pós-graduação acadêmica) e Hubert H. Humphrey (voltado para aperfeiçoamento profissional sem diploma) oferecem cobertura integral que inclui passagens, anuidade, seguro-saúde. No caso do Fulbright, há um auxílio-instalação de US$ 2.000 mais bolsas de manutenção que variam de US$ 2.830 a US$ 4.300 mensais. Contudo, ambos exigem o visto J-1 e impõem a "Regra dos Dois Anos", obrigando o bolsista a retornar e residir em seu país de origem por pelo menos dois anos antes de poder solicitar um visto de trabalho ou residência permanente (Green Card). O governo também oferece o Optional Practical Training (OPT), que permite que recém-graduados nos EUA trabalhem na sua área de formação por 12 meses sem precisar disputar o concorrido sorteio do visto H-1B, o tradicional visto de trabalho destinado a estrangeiros. Para os estudantes formados nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), existe a possibilidade de uma extensão de 24 meses, permitindo que trabalhem no país por um total de até 36 meses. Apuração de Leonardo Marchetti
Quanto custa morar nos EUA, país mais procurado por brasileiros? Veja salários, custo de vida e vistos antes de emigrar
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