Fé Verdejo é historiadora. Pesquisa vestígios da vida íntima de mulheres escravizadas em arquivos dispersos pela América Latina. Martin Tirado, especialista em documentos que trabalha na equipe dela em uma universidade, narra como o encontro entre os dois mudou sua vida ao longo de um ano.

Os capítulos de "Fé Disfarçada" alternam a ação no presente com relatos coloniais que misturam religião, maternidade, violência sexual e estratégias para obter a alforria.

A protagonista é uma intelectual negra com o projeto de restituir alguma dignidade para mulheres que figuram em registros históricos como sedutoras e manipuladoras, embora tenham sofrido toda espécie de abusos.

O romance aborda inúmeras contradições, inclusive como é possível conhecer uma história coletiva de traumas e agressões sexuais e ainda assim, individualmente, se excitar com práticas consensuais de dominação entre adultos.

A autora, a porto-riquenha Mayra Santos-Febres, observa a complexidade do desejo. O narrador, um homem branco, se envolve com a chefe em um jogo de sedução baseado em silêncios e trocas intelectuais. É a historiadora quem toma a iniciativa com o colega, dá a ele uma série de orientações para conduzir a relação, mas usa um traje que fere sua pele durante o ato sexual.