"A minha intenção era tentar configurar o nada. Quer dizer, pensar em um espaço que desse essa noção", diz Carlos Zilio, sobre a sua nova mostra individual, em cartaz na galeria Raquel Arnaud, na zona oeste de São Paulo, até o dia 22 de agosto. "Nem Mais nem Menos, Pinturas Recentes" marca a abertura de uma nova frente na sua obra.

Importante nome da arte política brasileira durante a ditadura militar, Zilio passou da ruptura com a vanguarda, marcada pela crítica à sociedade de consumo dos anos 1960 e 1970, a uma produção que retoma a tradição pictórica e investiga a própria ideia de pintura a partir dos anos 1980.

Da década de 2010 para cá, o artista passou a produzir uma série de obras que sugerem significados mais íntimos, ligados à sua própria história. A figura principal, pintada pelo artista em dezenas de trabalhos, é um misterioso tamanduá caído —que foi um animal de estimação de seu pai quando era criança.

"Ausência", que é uma das obras de destaque nesta atual exposição, aparece como uma despedida fúnebre desse momento anterior. Nela, o tamanduá é retratado como uma silhueta quase apagada, esvaziada, tragada por um excesso de preto e, além disso, comprimida por duas faixas laterais brancas.