A cerâmica usada por pessoas que viveram no litoral catarinense entre o fim do século 19 e o começo do século 20 traz pistas sobre a modernização desigual do Brasil há mais de cem anos. Os cacos do material, analisados quimicamente por arqueólogos, mostram como grupos de imigrantes e a população mestiça da região tinham hábitos alimentares e estilos de vida bastante distintos uns dos outros.
De um lado, havia um predomínio do consumo de vegetais e animais de origem europeia e uma maior integração com a produção comercial por parte dos recém-chegados, os quais, na região, tinham origem predominantemente alemã nessa época. Por outro lado, descendentes de indígenas, africanos e portugueses que já estavam na área havia séculos tendiam a depender mais dos recursos pesqueiros, além de caçar e praticar a agricultura de subsistência.
A análise, que levou em conta quatro sítios arqueológicos no entorno da baía da Babitonga (abrangendo municípios atuais como Joinville e São Francisco do Sul), foi publicada no mês passado no periódico especializado Royal Society Open Science. Coordenado por André Carlo Colonese, pesquisador brasileiro que trabalha na Universidade Autônoma de Barcelona, o trabalho também é assinado por especialistas da Universidade da Região de Joinville e do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville.






