Existe hoje um procedimento que ambiciona conseguir atrasar a menopausa em um futuro não tão longínquo. Por enquanto, ele dá uma chance de fertilidade antes inexistente para crianças que descobrem o câncer antes da puberdade e para pacientes oncológicas que não têm tempo suficiente para congelar os óvulos antes de iniciar a quimioterapia.
A técnica, chamada de congelamento de tecido ovariano, retira, congela e devolve ao corpo pedaços do próprio ovário —que se revasculariza para produzir óvulos. É diferente do congelamento de óvulos, em que o material extraído já é o óvulo maduro, pronto para fertilização futura.
A base da técnica foi estabelecida nos anos 1990, com experimentos em ovelhas no Reino Unido. O primeiro nascimento humano a partir dele ocorreu em 2004, na Bélgica, após reimplante do tecido, preservado antes de tratar um linfoma de Hodgkin.
Mais conhecido na Europa, o procedimento começa a se popularizar aos poucos no Brasil. Em 2019, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deixou de considerá-lo uma modalidade experimental.
Ainda assim, o método segue menos difundido que o congelamento de óvulos, padrão ouro para preservar a fertilidade, segundo o ginecologista Carlos Alberto Petta, integrante da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).









