Gerando resumoAs canetas emagrecedoras viraram objeto de desejo dos brasileiros, porém o preço elevado do medicamento é o principal obstáculo ao uso do produto. A combinação do custo do remédio incompatível com o bolso do consumidor abre espaço para o avanço do contrabando do remédio vindo do Paraguai, usado sem prescrição médica.PUBLICIDADEEssas são as principais constatações de uma pesquisa feita por uma plataforma de saúde, a TM&TL, espécie de “Uber” da saúde que conecta a população com médicos e farmácias.A enquete nacional, que ouviu cerca de 300 pessoas por meio de aplicativo ao longo deste ano, revela que 92% dos consultados têm o desejo de emagrecer ou usar canetas. No entanto, 73% dos respondentes apontam o custo elevado do remédio como o principal obstáculo para não iniciarem o tratamento.PublicidadePreço alto é o principal obstáculo para o brasileiro usar canetas emagrecedoras Foto: Gecko Studio - stock.adobe.com O alto preço do medicamento supera de longe outros fatores apontados como entraves ao uso das canetas emagrecedoras, como falta de praticidade (9%), desconfiança (7%) ou medo de efeitos colaterais (6%).“As pessoas querem realmente emagrecer, só que elas não têm dinheiro para isso. O preço pega para elas porque a caneta é um tratamento caro e tem de continuar usando por meses para realmente perder peso”, diz Danilo Bertasi, CEO da plataforma.A motivação da plataforma de fazer uma pesquisa sobre o consumo de canetas emagrecedoras foi saber por que o interesse pelo uso do medicamento é grande, porém, na prática, poucas pessoas fecham o tratamento.PublicidadePesquisas apontam que 60% da população brasileira está acima do peso e entre 25% e 30% é considerada obesa. Além disso, o executivo observa que o Brasil é o segundo país que mais pesquisa informações na internet sobre Ozempic, medicamento injetável à base de semaglutida produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, e o Mounjaro, à base de tirzepatida e fabricado pelo laboratório Eli Lilly. Bolso apertadoA restrição no orçamento como obstáculo ao tratamento também aparece em outros resultados da enquete. Para iniciar o tratamento, 36% dos entrevistados apontam que o investimento menor ajudaria, enquanto para 15% um fator decisivo seria o parcelamento do valor da compra. Na média, os interessados no tratamento estão dispostos a gastar R$ 300 por mês pelo medicamento, aponta a pesquisa. É um valor muito abaixo do preço de mercado cobrado pela caneta, na faixa de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil.PublicidadeLeia tambémCanetas emagrecedoras mudam consumo, reduzem gastos e pressionam indústria e supermercadosPesquisa mostra que 62,2% dos usuários de canetas emagrecedoras mudaram a prioridade de gastosCaneta emagrecedora vira benefício das empresas aos funcionários, em programas para tratar obesidadeUm dado que chama atenção é que o alto preço do medicamento é barreira ao início do tratamento para todas as faixas de renda, inclusive para os mais abastados. Entre aqueles com renda entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por mês, 67% citam o custo como barreira; entre os com renda de R$ 4 mil a R$ 8 mil, são 58%; e entre os que ganham até R$ 2 mil, o índice sobe para 75%. Também 78% dariam nota máxima para sua empresa se as canetas fossem oferecidas como um benefício corporativo.“O brasileiro quer emagrecer, só que, quando a gente associa (a caneta) a um preço muito alto com uma demanda gigantesca, o pessoal é empurrado diretamente para a falsificação, ou para o Paraguai, e o Paraguai conseguiu criar uma narrativa muito bonita, de que o produto é verdadeiro”, observa Bertasi.PublicidadeA pesquisa revela que, do total de entrevistados, 52% afirmam já ter usado algum medicamento de emagrecimento antes, sem nunca ter fechado com uma marca ou clínica.Entre quem já usou, as origens do medicamento se dividem de forma pulverizada: 26% recorreram a drogarias, 24% a compras vindas do Paraguai ou de fora do País, 23% passaram por outro médico e 22% usaram por indicação de amigos ou conhecidos.Vale ler tambémO Brasil tem instrumentos; não tem estratégiaSonho americano da MRV chega ao fim e deixa impactos bilionários no grupoCampanha da reeleição se agarra a ilusionismo tosco sobre a questão fiscal