Incidentes separados ocorrem em um contexto de ampliação das preocupações sobre uma possível extensão da guerra entre Rússia e Ucrânia no território europeu 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Foto mostra abate de drone sobre Kiev, em 8 de agosto de 2026 — Foto: Sergei Supinsky/AFP Aviões caça da Otan abateram um drone não identificado que invadiu o espaço aéreo da Letônia nesta sexta-feira, anunciaram o Ministério da Defesa do país báltico e a liderança da aliança atlântica, em um incidente que fez a vizinha Finlândia impor restrições temporárias ao tráfego aéreo e marítimo. O caso acontece em um momento em que autoridades europeias têm apontado um aumento nas atividades hostis da Rússia em seu território — incluindo atividades suspeitas com veículos aéreos não tripulados e supostas ações encobertas, como um plano de assassinato a um cidadão americano em Varsóvia, que o governo da Polônia anunciou ter impedido na quinta-feira. O comunicado oficial do governo letão citou apenas que "uma aeronave não tripulada estrangeira" teria entrado no espaço aéreo do país, enquanto a Otan detalhou que um avião de combate italiano abateu um drone na região, sem especificar a origem do dispositivo. Uma porta-voz da aliança afirmou que há uma investigação em andamento, em estreito contato com as autoridades letãs. O país báltico fica quase que no meio do caminho entre a Ucrânia e São Petersburgo, um dos alvos de recentes ataques ucranianos, que reforçou ações de longo alcance contra o território russo. Um outro drone já havia sido abatido em junho, por caças franceses em uma missão de patrulhamento da Otan. As autoridades russas anunciaram nesta sexta ter abatido 54 drones ucranianos na região militar de Leningrado, que inclui a segunda maior cidade russa, e relatou um incêndio no porto de Ust-Luga. O incidente atual acontece em um contexto de crescente preocupação com a guerra entre Rússia e Ucrânia. No começo da semana, autoridades alemãs anunciaram ter avistado ao menos dois drones perto do aeroporto de Leipzig, dias depois da descoberta de uma aeronave não tripulada, carregada de explosivos, no mesmo local, a metros de um avião de transporte ucraniano. O caso está sendo tratado como um possível indício de que o presidente russo, Vladimir Putin, estaria disposto a testar até onde vai a coesão dos aliados ocidentais. Uma série de países europeus denuncia ações supostamente ligadas a Moscou. Centenas de drones foram avistados perto de aeroportos civis na Espanha, bases militares na Polônia e instalações de uso duplo nos litorais da Noruega, Bulgária e Dinamarca. Voos chegaram a ser suspensos em alguns hubs, como Copenhague. Casos suspeitos de sabotagem também acenderam um alerta entre autoridades. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que um plano russo para matar um cidadão dos EUA, de origem ucraniana, foi frustrado por forças de segurança do país, no que disse corresponder à primeira tentativa de matar um cidadão americano em território da Otan por parte de "alguém a mando da Rússia". Em um comunicado, a polícia de Varsóvia informou que o suspeito detido ficaria preso preventivamente por três meses, e que se tratava de um indivíduo recrutado por serviços secretos russos. A prisão teria sido realizada com cooperação de inteligência com os EUA. A identidade do suposto agente infiltrado russo não foi revelada, bem como a do suposto alvo, que seria um americano "de origem ucraniana", visto por Moscou como "incômodo". (Com AFP)