As forças armadas da Letônia informaram nesta quinta-feira que pelo menos um drone invadiu o espaço aéreo do país e que caças da Otan foram acionados para enfrentar a ameaça, no mais recente de uma série de incidentes de segurança na região do Báltico. A Ucrânia intensificou nos últimos meses seus ataques de drones de longo alcance contra a Rússia, inclusive através do Mar Báltico, e vários drones militares ucranianos acabaram entrando no espaço aéreo de membros da Otan, como Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia. “Confirmamos que há pelo menos uma aeronave não tripulada no espaço aéreo letão”, escreveram as Forças Armadas da Letônia na plataforma X mais cedo. Por volta de 8:50 de Brasília, anunciaram que a “ameaça” ao espaço aéreo do país tinha acabado. Foi confirmado que um drone cruzou para a Letônia vindo de Belarus, mas seu paradeiro atual era desconhecido, disse um porta-voz militar à emissora Latvian Television. O governo da Letônia renunciou na semana passada devido à forma como lidou com essas incursões, e continuam as negociações para a formação de um novo gabinete. Em comunicado, as forças armadas orientaram os moradores do leste da Letônia, na fronteira com a Rússia e Belarus, a permanecerem abrigados em locais fechados até novo aviso. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores de Belarus apresentou um protesto à vizinha Lituânia sobre o que afirmou ter sido a violação da fronteira belarussa por um drone vindo da Lituânia, informou nesta quinta-feira a agência estatal russa RIA. Países bálticos culpam Moscou Na terça-feira, um caça da Otan derrubou um suposto drone ucraniano sobre a vizinha Estônia, enquanto uma violação semelhante do espaço aéreo na Lituânia, na quarta-feira, interrompeu o tráfego aéreo para a capital do país e obrigou parlamentares a se refugiarem em abrigos subterrâneos. “Eles (a Ucrânia) certamente não querem que seus drones acabem em território aliado por razões óbvias”, afirmou o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, nesta quinta-feira. “Às vezes é uma questão de interferência eletrônica. Às vezes é uma questão de outros distúrbios”, disse ele em entrevista coletiva conjunta com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Os países bálticos, todos fortes apoiadores da Ucrânia, atribuíram os incidentes a Moscou, afirmando que a Rússia redireciona drones ucranianos de seus alvos pretendidos em território russo, embora sem apresentar provas para sustentar as alegações. O Kremlin afirmou na quarta-feira que está monitorando a situação. Moscou já acusou anteriormente os países bálticos de permitirem que a Ucrânia lance drones a partir de seus territórios, alegação fortemente negada por esses países e pela Otan. O ministro da Defesa da Polônia afirmou nesta quinta-feira que a Ucrânia precisa ser muito precisa ao utilizar drones para evitar dar à Rússia a oportunidade de interferir em suas rotas de voo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na quarta-feira que as ameaças russas aos países bálticos são “inaceitáveis” e seriam consideradas ameaças contra toda a União Europeia.