A prosa veloz de Edyr Augusto não economiza cenas violentas. Sua literatura, povoada pelas vozes do submundo de Belém, é uma armadilha para quem lê.
"É parte da brincadeira que eu faço para nós vivermos aquela história toda juntos. A minha ideia é chamar o leitor como cúmplice, como se nós dois estivéssemos assistindo àquilo", diz, em entrevista.
O pacto de cumplicidade surge já no início do seu novo livro, "Não nos Deixeis Cair em Tentação", da Boitempo.
O que os leitores testemunharão é o assassinato encomendado de dois jovens seminaristas. O ritmo é vertiginoso. O escritor não prorroga a ação construindo antes um cenário nem apresentando as personagens. O romance não é erguido aos poucos —é para já.
"A primeira página, para mim, tem que ser muito matadora, sabe? Porque é ela que vai provocar. Quando tenho essa primeira página, mergulho. Daí em diante é como desenrolar um fio", conta.






