Presidente enfrenta resistência após fracasso de plano para captar US$ 4,2 bilhões com investidores privados e busca novo mandato em 2027 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Frederic J. BROWN / AFP Seis federações nacionais de futebol do mundo árabe, entre elas as de Catar e Marrocos, divulgaram nesta quinta-feira uma declaração conjunta de apoio a Gianni Infantino em meio à maior crise enfrentada pelo presidente da Fifa às vésperas da eleição de 2027. O movimento ocorre no mesmo dia em que a Irlanda anunciou a retirada formal do apoio à permanência do dirigente suíço no comando da entidade. Além de Catar e Marrocos — este último um dos países-sede da Copa do Mundo de 2030 —, assinaram a manifestação as federações de Egito, Líbano, Sudão e Mauritânia. O grupo afirmou ter "total apoio" a Infantino e disse manter confiança em sua liderança. — Reconhecendo o importante papel do futebol árabe em unir pessoas e fortalecer a cooperação entre as federações de futebol em todo o mundo árabe, expressamos nosso total apoio ao Sr. Gianni Infantino, presidente da Fifa, e reafirmamos nossa confiança em sua liderança e compromisso contínuo com o desenvolvimento do futebol em todo o mundo — diz a declaração. O posicionamento é especialmente relevante porque quatro dos seis dirigentes que assinam o documento também integram o Conselho da Fifa: o catari Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani, o egípcio Hany Abo Rida, o marroquino Fouzi Lekjaa e o mauritano Ahmed Yahya. — Agradecemos profundamente os esforços contínuos do Sr. Infantino para promover o futebol globalmente, expandir as oportunidades em todas as regiões e fortalecer o papel do esporte em unir pessoas e comunidades — acrescentaram. A manifestação amplia a frente de sustentação a Infantino depois de a Confederação Africana de Futebol (CAF) também declarar apoio ao dirigente. Ao mesmo tempo, expõe uma divisão dentro das próprias confederações que se posicionaram contra a condução da Fifa nas últimas semanas. A crise teve início após a tentativa de Infantino de abrir parte dos negócios da entidade ao capital privado. O projeto previa separar direitos comerciais de competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, e vender uma participação de 20% a investidores. A operação poderia levantar cerca de US$ 4,2 bilhões. A proposta acabou retirada diante da reação no futebol internacional. Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) criticaram a condução do processo e passaram a pressionar Infantino. As três entidades representam, juntas, 136 das 211 associações nacionais com direito a voto na eleição presidencial da Fifa. Na semana passada, depois de uma reunião de emergência realizada em Marrocos, a Fifa pediu desculpas às 211 federações por erros na condução da proposta. A direção da entidade, no entanto, manteve apoio integral ao presidente. Apoio árabe mostra dificuldade de voto em bloco A declaração desta quinta-feira também evidencia um dos principais componentes da disputa que se desenha para 2027: uma posição contrária adotada pela direção de uma confederação não significa necessariamente que suas federações votarão da mesma maneira. Parte das seis entidades que declararam apoio a Infantino pertence à AFC, uma das confederações que manifestaram insatisfação com a condução do projeto de investimento privado. Na eleição presidencial, porém, cada uma das 211 associações filiadas à Fifa possui direito a um voto individual. Infantino pretende disputar em março de 2027 seu quarto e último mandato à frente da entidade. Se tiver apenas um adversário, precisará alcançar maioria simples, equivalente a pelo menos 106 votos. Caso três ou mais candidatos participem da disputa, serão necessários dois terços dos votos — 141 — para uma vitória no primeiro turno.
Crise na Fifa divide federações e Infantino recebe apoio de Catar, Marrocos e outros quatro países árabes
Presidente enfrenta resistência após fracasso de plano para captar US$ 4,2 bilhões com investidores privados e busca novo mandato em 2027













