Eles desmentem a ideia de ter que cantar em inglês para fazer sucesso mundial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rosalía encanta cariocas sob chuva, com espetáculo entre sagrado e profano, alta cultura e baixos instintos — Foto: Silvio Essinger O que Anitta, Bad Bunny e Rosalía têm em comum, além do colossal sucesso planetário, quebrando padrões de língua e de cultura? Eles representam a vitória da arte e da liberdade sobre velhos preconceitos e contra a submissão à ditadura cultural americana. Eles desmentem a ideia de ter que cantar em inglês para fazer sucesso mundial. O espanhol, a sonoridade de suas palavras, o suingue de suas frases musicais bastam para que, mesmo sem entender o que é dito, o público ame essas descargas sonoras. Os três trabalham muito e naturalmente são muito ricos, mas, em vez de ostentar em cafonices, investem fortunas em seus shows, transcendendo até o conceito de “show”, ou mesmo de “concerto”, para algo mais amplo, com Rosalía trazendo uma grande orquestra e integrando pop, flamenco e música clássica com elementos de teatro, dança e artes plásticas. Depois de fazer sucesso cantando em espanhol e inglês, Anitta produziu dois álbuns maravilhosos inspirados nos ritmos e na espiritualidade afro-brasileira, voltados para o público brasileiro, em shows monumentais que vão além da música grandiosa e de artes visuais para experiências de wellness, meditação e espiritualidade antes do show. Bad Bunny mistura salsa, trap e reggaeton e é a expressão máxima do sucesso da música latina nos Estados Unidos, como completa oposição à América trumpista branca, machista e racista. Politizado e libertário, quebrou padrões de gênero e de comportamento e desafiou Trump fazendo um show grandioso e todo em espanhol no santuário máximo do esporte americano: o Super Bowl. O público adorou, ao vivo e pela televisão no mundo inteiro. Estamos vendo a decadência do império americano, e também a decadência do pop americano, pela exaustão, a falta de novos grandes artistas, a ameaça da IA produzindo música em massa. Tudo isso contribui para maior aceitação da cultura latina nos Estados Unidos, onde os hispânicos são 20% da população, cerca de 70 milhões de pessoas. Em sintonia com o sucesso da música latina, o político em maior ascensão no momento nos Estados Unidos é a nova-iorquina de origem porto-riquenha Alexandria Ocasio-Cortez, deputada federal e candidata ao Senado, que começa até a ser cogitada para disputar a presidência. AOC tem 36 anos, é economista e socialista democrática, tão popular que é conhecida simplesmente pelas iniciais, como raros grandes políticos tipo JFK. Fala-se Ei-Ou-Ci e todo mundo entende. Mas a grande sensação é Zohan Mamdani, um muçulmano filho de indianos, o primeiro socialista a ocupar a prefeitura da capital mundial do capitalismo. Em menos de um ano, graças a uma administração moderna, inovadora e eficiente, Mamdani se tornou o prefeito mais popular da história de Nova York. E um político nacional cada vez mais popular. Só não concorre à presidência porque nasceu em Uganda. E, para fechar, o socialista democrático e muçulmano Abdul Al-Sayad, um jovem médico de saúde pública e candidato ao Senado por Michigan, vai amassando o oponente republicano nas pesquisas.
O que Anitta, Bad Bunny e Rosalía têm em comum?
Eles desmentem a ideia de ter que cantar em inglês para fazer sucesso mundial







